Publicidade
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Disputa

Flávio sai na frente, mas eleição ainda não terminou

O senador Flávio Bolsonaro (PL) dá declarações à imprensa em Brasília (DF) após a apuração dos resultados oficiais do primeiro turno (Foto: André Borges/EFE)

Ouça este conteúdo

As primeiras pesquisas do segundo turno colocam Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula. Na Quaest (registro no TSE BR-02197/2026), divulgada no sábado, antes do primeiro turno, o senador já aparecia 44% contra 42% do presidente. No Datafolha (registro no TSE BR-01708/2026), também divulgada na véspera do primeiro turno, o placar ficou 47% a 46% para Lula, diferença que cabe inteira na margem de erro e lembrando que esse instituto sempre infla o candidato à esquerda. Atlas e outros institutos repetem o mesmo filme: vantagem de meio ponto para cá, meio ponto para lá. O PoderData, na primeira pesquisa após o primeiro turno (registro no TSE BR-08134/2026) coloca, de forma mais realista, Flávio com 53% contra 47% de Lula. Quem lê manchete e já marca o churrasco da vitória está se precipitando, porém.

Whatsapp: entre no grupo e receba as colunas de Rodrigo Constantino

O primeiro turno serviu para medir o tamanho do antipetismo e a capacidade de Flávio de herdar o eleitorado do pai sem desabar. Passou no teste. O segundo turno é outra eleição. Lula deixa de ser o incumbente cansado disputando com uma meia dúzia de nomes e vira o candidato único da máquina, do medo e da mentira organizada.

E máquina, o PT ainda tem. Ministério, estatais, emendas, prefeituras aliadas, o caixa que não aparece na prestação de contas e a rede de artistas que troca cachê por palanque. A campanha de Flávio vai enfrentar o terrorismo eleitoral de sempre: o fim do Bolsa Família, o fim da aposentadoria, o tanque na porta da favela, o fim do voto feminino e a democracia em risco. Nada disso precisa ser verdade. Precisa apenas caber num vídeo de trinta segundos e circular antes que alguém chegue à fonte. A direita que trata isso como folclore já perdeu eleição assim.

Tratar o ativo como título provisório é o jeito mais rápido de devolvê-lo. Arregaçar a manga não é slogan. É visita, é santinho, é palanque, é resposta rápida à mentira, é não entregar o centro de bandeja para o discurso do caos

O outro lado, porém, não está em festa. Casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. Kátia Abreu, recém-chegada ao PT e responsável pela campanha no Tocantins, foi aplaudida na reunião da cúpula ao pedir menos Janja e mais Alckmin. Chamou o comando de “paulistas sem voto” e tratou o gospel da primeira-dama no comício como erro de estratégia. Janja respondeu que não sai do palanque, porque quem decide é o marido. Alckmin, o vice que deveria costurar o centro, continua de figurante.

Do lado do entretenimento militante, José de Abreu decretou a morte política de André Janones. Rachadinha, liderança usurpada da esquerda, gritaria de pastor: o ator velho de guerra não engoliu o deputado que montou o “Exército do Lula” no WhatsApp e prometeu virar a eleição na marra digital, mas teve pouco voto em sua própria candidatura. A briga é patética e, ao mesmo tempo, reveladora. Quando o projeto perde o chão, a militância passa a disputar o microfone. Ninguém ali está discutindo o preço da comida. Estão discutindo quem manda no resto do circo.

Nada disso absolve a direita da obrigação de trabalhar. Briga interna do PT não transfere voto sozinha; só mostra o clima de desespero com o resultado do primeiro turno. Artista ressentido não anula o alcance da tevê pública nem o pavor fabricado nas periferias. A rejeição a Lula continua alta, o Nordeste continua petista e o eleitor de centro ainda pode ser assustado na reta final. Quem já “ganhou” no grupo de família costuma ser o mesmo que some da rua quando o adversário liga a máquina.

A campanha do PL não está dormindo, ao menos. Tem apostado na política tradicional e atraído o apoio do centro, compensando a falta da máquina estatal petista. Além da capilaridade que o centrão oferece, esse apoio representa um termômetro melhor do que pesquisas tradicionais: essa turma só gosta de apostar no cavalo favorito. A reação dos mercados e as bolsas de apostas acrescentam lenha na fogueira do otimismo conservador. Mas deve ser um otimismo cauteloso, sempre.

O recado das pesquisas é simples. Flávio sai na frente no número que mais importa neste momento, o do segundo turno, e sai na frente sem ter a caneta, a verba e o horário eleitoral gratuito do governo. Isso é ativo. Tratar o ativo como título provisório é o jeito mais rápido de devolvê-lo. Arregaçar a manga não é slogan. É visita, é santinho, é palanque, é resposta rápida à mentira, é não entregar o centro de bandeja para o discurso do caos. E, como alertou Nikolas Ferreira, evitar bola dividida que em nada agrega.

Lula chega desgastado, com a família política em pé de guerra e um eleitorado que já o conhece demais. Pode tentar usar uma máscara, mas todos sabem o que ele fez nos últimos verões. Flávio chega com o vento das urnas e a desconfiança de quem ainda não o viu governar. A distância entre os dois cenários cabe numa margem de erro. Cabe também numa semana de preguiça. A direita que quiser o Planalto não tem o direito de relaxar. O outro lado, mesmo brigando por pão que não tem, ainda sabe ligar a máquina.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.