Publicidade
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

STF

Sem anistia para Moraes: para o Brasil ser pacificado, ministro tem que sair

Banqueiro pediu aeronave para Roraima, mas recusou usar aeronave reservada a "Barci".
Moraes precisa ser investigado. Isso é parte de “tocar o país para frente”. Nenhuma democracia está a salvo com um ministro desses permanecendo no STF. (Foto: Andre Borges/EFE)

Ouça este conteúdo

A CNN Brasil revelou nesta segunda-feira que uma ala do STF já estaria buscando um acordo político com o bolsonarismo, assustada com a bancada que a direita vai ter no Senado a partir de fevereiro. A conta é simples: a bancada pró-impeachment chega a 49 votos, faltando só cinco para os 54 necessários para tirar um ministro da Corte. E o recado que circula nos bastidores é claro – poupar os ministros em troca da revisão da prisão de Jair Bolsonaro e da anistia unânime aos condenados do 8 de janeiro.

Whatsapp: entre no grupo e receba as colunas de Rodrigo Constantino

O PL já rejeitou qualquer “acordão”. E fez bem. Porque anistia negociada não é anistia – é chantagem institucionalizada. É o Supremo usando a prisão de um ex-presidente como moeda de troca para blindar ministros investigados. Quem aceita esse negócio não está fazendo política; está vendendo a democracia a preço de banana.

Rogério Marinho foi direto ao ponto. Ele disse que, se for presidente do Senado, vai mudar o rito: “Se 49 senadores assinarem um pedido de cassação, a abertura do processo será automática”. E completou: “Não quero ser como Alexandre de Moraes, que acusa e julga. Quero me colocar no papel de magistrado. Se os elementos de prova me convencerem, votarei favorável ao afastamento em definitivo do ministro processado”.

A democracia brasileira não sobrevive com um ministro que decide eleição por conveniência, que presta consultoria a banqueiro ladrão, que censura opositores e que se acha acima de qualquer apuração

É isso. Não é vingança, não é radicalismo – é o Senado fazendo o que a Constituição manda. Marinho também lembrou o recado que deu a Gilmar Mendes: “Não queremos vingança. Queremos que a Constituição seja respeitada.” Ninguém pode estar acima da lei, ponto final. Marinho adota tom sereno, mas com conteúdo firme. Será um bom presidente do Senado. Davi Alcolumbre não deixará saudades.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, disse em entrevista que a prioridade é tocar o país para frente, não “incendiar o Brasil”. De fato, ninguém quer espalhar clima de vingança generalizada e o povo tem pressa, quer prosperidade, segurança, tudo aquilo que o PT lhe tirou. Mas todo cuidado é pouco: falta a Valdemar, investigado pelo sistema, a coragem de defender o que deve ser feito. Moraes precisa ser investigado. Isso é parte de “tocar o país para frente”. Nenhuma democracia está a salvo com um ministro desses permanecendo no STF.

E aqui entra o detalhe que ninguém quer enxergar. Michel Temer, o homem que indicou Alexandre de Moraes ao STF em 2017, declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. A CNN aponta Temer como possível intermediário do acordo. Coincidência? Talvez. Mas aquele que criou o monstro agora quer negociar em seu nome – e isso cheira a tentativa de salvar o próprio legado, não a interesse republicano.

A democracia brasileira não sobrevive com um ministro que decide eleição por conveniência, que presta consultoria a banqueiro ladrão, que censura opositores e que se acha acima de qualquer apuração. O caso Vorcaro não é detalhe – são mais de 50 conversas, um contrato de R$ 129 milhões com o escritório da mulher do ministro, e uma perícia da PF que identificou o próprio Moraes como interlocutor. Isso não se anistia. Isso se investiga. E se pune, caso comprovada a culpa.

Recuar agora seria um erro histórico. A bancada está montada, as provas estão na mesa, e o povo acabou de votar contra o ativismo judicial. Moraes foi o maior cabo eleitoral de Flávio e o maior derrotado nas urnas no domingo – mais até do que Lula. Se o STF teme o impeachment, que resolva internamente – afastando quem manchou a toga. Mas o Congresso não pode trocar a Constituição por um acordo de bastidor.

Talvez tentando já contemporizar, Moraes autorizou o semiaberto para a Débora do batom, condenada a vários anos de prisão pelo 8 de janeiro, pelo “terrível crime” de escrever uma frase na estátua da Justiça com seu batom. A frase era problemática sim: dita pelo ministro Barroso! “Perdeu, mané”, no batom da Débora, não é nada demais; na boca de Barroso, é confissão de crime. Moraes acha que vai se safar com gestos assim? É pouco demais, tarde demais. O senador eleito pelo Novo, Marcel van Hattem, está certo: não queremos impeachment apenas, mas a prisão de Moraes!

Para o Brasil ser pacificado, Moraes tem que sair e, de preferência, ser preso, pagar por seus inúmeros crimes que destruíram famílias inteiras. Sem anistia. Sem blindagem. Sem medo. Sem acordão.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.