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Para entender

Jaguaruna conquista título de sede da maior onda surfada no Brasil

Surfista Lucas Chumbo desceu uma onda de 14,82 metros, registrado como recorde de maior onda já surfada no Brasil (Foto: Gabriel Gomes/Divulgação Big Wave Brasil)

Jaguaruna, em Santa Catarina, oficializou o título de Capital Nacional da Maior Onda do Brasil após a sanção da Lei nº 15.461. O reconhecimento baseia-se no recorde do surfista Lucas Chumbo, que desceu uma montanha de água de 14,82 metros na Laje da Jagua em julho de 2025. O município agora investe em infraestrutura e eventos mundiais para se consolidar como um destino global do surfe de ondas grandes.

O que explica a formação de ondas tão gigantes na Laje da Jagua?

A Laje da Jagua é uma elevação rochosa situada a cinco quilômetros da costa, onde a profundidade do mar sobe bruscamente de 40 metros para apenas dois metros. Esse degrau repentino faz com que a energia vinda do oceano desacelere e se transforme em altura, um processo técnico chamado de empolamento. Diferente de Portugal, onde um cânion submarino guia a água, em Jaguaruna é o relevo alto no fundo plano que cria as condições ideais para o fenômeno. Ondulações que viajam desde a região da Antártica encontram esse obstáculo e geram os paredões que atraem surfistas do mundo inteiro.

Como foi feita a medição que garantiu o recorde brasileiro ao surfista Lucas Chumbo?

O recorde de 14,82 metros foi estabelecido após uma expedição organizada pela Big Wave Brasil em parceria com a Mormaii. Como o local ainda não possui boias ou equipamentos fixos para medir as ondas permanentemente, o processo dependeu de uma análise técnica rigorosa feita por um oceanógrafo especializado. Ele utilizou imagens e vídeos da sessão de surfe para calcular a altura exata da parede de água. Essa marca superou o registro anterior de 13,7 metros e serviu como base para a criação da lei federal que elevou Jaguaruna ao status de capital nacional deste esporte radical.

Quais são os planos da prefeitura para transformar a cidade em destino turístico?

A prefeitura de Jaguaruna planeja aproveitar a visibilidade do surfe para movimentar a economia local fora da temporada de verão. Entre as iniciativas estão a criação de expedições náuticas até a laje, experiências de imersão em 3D para quem prefere ficar em terra firme e a construção de um monumento em tamanho real de uma onda gigante. O desafio é estruturar a rede de hotelaria e gastronomia, já que muitos imóveis ficam vazios no inverno. A cidade também integra a Rota do Big Surf, que une municípios vizinhos em um projeto de turismo esportivo apoiado por lei estadual.

Como funcionará o campeonato mundial de ondas grandes previsto para o local?

Jaguaruna aguarda a realização do Mormaii Big Wave Challenge, que deve reunir 18 surfistas de elite em uma disputa na modalidade de remada, onde não se usa o auxílio de motos aquáticas para entrar na onda. Diferente de outros esportes, o evento não tem data fixa; ele depende de um swell de grande energia. A organização monitora as previsões com semanas de antecedência e emite sinais de alerta. O sinal verde só ocorre sete dias antes, quando há certeza de que o mar oferecerá as condições extremas necessárias. Caso o clima não colabore até novembro, uma nova janela será aberta em 2027.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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