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Uma publicação da influenciadora e analista política Mariana Brito com críticas à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que mulheres “aprendem a tomar toque desde pequenas” passou a ser exibida pelo Instagram com alerta de “informação falsa”. A plataforma pertencente à Meta embaçou a imagem da postagem, publicada pela influenciadora na última terça-feira (29), e apontou que o conteúdo teria sido checado pela Agência Lupa.
“Depois de alcançar quase 30 milhões de pessoas, meu post sobre a declaração do Lula, em Belém do Pará, afirmando que as mulheres estão acostumadas a receber ‘toque’ desde crianças, foi censurado pelo Instagram e pela Agência Lupa”, disse Mariana em um segundo vídeo publicado para denunciar o caso.
Segundo a influenciadora, que conta com mais de meio milhão de seguidores, o alcance do post caiu drasticamente após a classificação da plataforma e evidenciaria censura.
“Para eles, errado não é o Lula por ter feito esse tipo de comentário absurdo, mas errada sou eu por ter me revoltado com ele”, disse, ao ressaltar que mulheres não estão acostumadas a “tomar toque” desde criança e que “não há nenhum contexto em que essa fala seja aceitável”.
Mariana questionou uma declaração do presidente e candidato à reeleição dita na última segunda-feira (28) durante anúncio de operações de próstata robotizadas no estado do Pará. “Homem não gosta de fazer o teste de próstata, ele não gosta de toque”, afirmou Lula, ao comentar, em seguida, que mulher aprende “a tomar toque desde quando é pequena”.
O que eu aprendi é que ‘tocar’ uma criança é crime e normalizar isso em uma fala como essa é uma das coisas mais abjetas que alguém pode fazer.
Mariana Brito, influenciadora com mais de meio milhão de seguidores, ao comentar fala de Lula sobre meninas aprenderem a "tomar toque".
A fala recebeu críticas, como a realizada por Mariana. “Senhor Presidente, eu sou mulher e não aprendi a ‘tomar toque desde pequena’. O que aprendi é que ‘tocar’ uma criança é crime e normalizar isso em uma fala como essa é uma das coisas mais abjetas que alguém pode fazer”, escreveu a influenciadora.
Na legenda da postagem, ela também afirmou que a fala era “misógina”, em referência ao termo utilizado pela esquerda para descrever ódio, desprezo ou preconceito contra mulheres, e ressaltou que as falas do presidente normalizariam o abuso infantil. “Espero que as feministas, defensoras das mulheres, se manifestem contra essa declaração abjeta do presidente”, continuou.
Após repercussão da postagem, no entanto, um alerta de “informação falsa” começou a aparecer com uma explicação de checagem da Agência Lupa. “Lula não defendeu nem normalizou a pedofilia em discurso no Pará”, apontou a aba com título “Entenda”, disponibilizada pelo Instagram. Após a mensagem, o usuário pode seguir para a publicação original.
Na tarde desta quinta-feira (1º), o acesso segue aparentemente normal às demais postagens da influenciadora, como o post em que Mariana denuncia o ocorrido.
“Se o presidente estava falando de exames ginecológicos, me digam, então, quais são esses exames onde as mulheres são tocadas ainda pequenas”, solicita, no vídeo. “Criança não vai em ginecologista por rotina. Criança vai ao pediatra, e pediatra não dá ‘toque’ em paciente mulher, criança”, continua, alertando que “tocar partes íntimas de uma criança é ato criminoso”.
A Gazeta do Povo tentou contato com a Meta, responsável pela plataforma Instagram, mas não obteve resultado até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Nikolas Ferreira também criticou a fala; TSE exigiu retirada de vídeo
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também reagiu à fala e afirmou em suas redes sociais que “menina pequena não aprende a tomar toque nenhum”. O parlamentar argumentou que o rastreamento do câncer do colo do útero é recomendado para mulheres adultas que já tiveram relações sexuais e que a orientação do Colégio Americano de Ginecologistas (ACOG) é de que a primeira consulta de adolescentes não tenha exame ginecológico interno.
“Meninas não são tocadas desde cedo, não”, continuou o deputado federal, ao questionar o que um pedófilo pensaria ao ouvir a declaração do presidente. “Se você é petista e passa pano para essa fala aqui, o Lula é a segunda vergonha do Brasil, porque a primeira é você”, disse.
A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição de Lula, ingressou com uma Representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a crítica de Nikolas, alegando propaganda eleitoral negativa irregular e descontextualização da fala do presidente.
Na quarta-feira (30), a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que uma das publicações realizadas pelo parlamentar fosse removida em até 24 horas. Ela também proibiu Nikolas de republicar conteúdo semelhante. A decisão é provisória e deve ser analisada pelo plenário do tribunal.
Presidente Lula respondeu Nikolas durante comício em Salvador (BA): “Canalha”
Durante comício em Salvador (BA) na noite desta quarta-feira (30), o presidente Lula também citou o vídeo de Nikolas e chamou o parlamentar de “canalha”.
De acordo com Lula, sua fala em Belém teve a intenção de “fazer uma comparação” e mostrar como as mulheres são corajosas por realizarem exames que homens têm medo. “Uma palavra ou uma frase errada”, explicou o presidente.
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