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"Sob a proteção de Deus"

Justiça da Paraíba proíbe menção a Deus em abertura de sessões legislativas

Decisão da Justiça paraibana ainda veda presença da Bíblia na Mesa Diretora.
Decisão da Justiça paraibana ainda veda presença da Bíblia na Mesa Diretora. (Foto: Ednaldo Araújo/TJPB)

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O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) decidiu proibir a menção a Deus na abertura das sessões da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALEPB). A expressão "sob a proteção de Deus" - tradicional nas casas legislativas do Brasil - foi declarada inconstitucional. Também está proibida a presença da Bíblia na mesa diretora. A sessão de julgamento ocorreu nesta quarta-feira (4).

Para invalidar os dispositivos do regimento interno da assembleia que mencionam Deus, o Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB) invocou o princípio da laicidade do Estado, bem como os princípios da impessoalidade e da igualdade.

A ALEPB, presidida pelo deputado estadual Adriano Galdino (Republicanos), defendeu a tradição, apontando para o uso comum ao redor do país, além de argumentar que os ritos são simbólicos, sem imposição da religião a qualquer pessoa. O presidente da assembleia alegou que irá recorrer da decisão.

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A Justiça deu razão ao Ministério Público: para o desembargador Ricardo Vital de Almeida, porém, a laicidade do Estado precisa ser demonstrada também no campo do simbólico. Seu voto-vista vai no sentido de vedar quaisquer símbolos, textos ou expressões ligadas a alguma religião em específico.

"Ao obrigar que um livro sagrado, específico de uma vertente religiosa, no caso a Bíblia, deva permanecer sobre a mesa diretora durante toda a sessão e ao impor que o presidente invoque a proteção de Deus para a abertura dos trabalhos, o Estado paraibano desborda de sua competência secular para adentrar na esfera do sagrado, sinalizando uma preferência institucional inequívoca", diz o voto.

Em nível federal, vemos a expressão como obrigatória na abertura das sessões tanto na Câmara quanto no Senado. O regimento interno da Câmara vai além, ao determinar que "a Bíblia Sagrada deverá ficar, durante todo o tempo da sessão, sobre a mesa, à disposição de quem dela quiser fazer uso." A invocação da "proteção de Deus" é utilizada inclusive no preâmbulo da Constituição Federal.

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