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Até onde vai a garantia da fonte para o jornalista? O sigilo da fonte não está nada garantido depois dessa decisão do ministro Alexandre de Moraes, que usou o “inquérito do fim do mundo” no Maranhão para ordenar busca e apreensão contra um ex-secretário estadual de Assuntos Legislativos. Esse ex-secretário teria passado a um jornalista informações sobre o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão por integrantes da família de Flávio Dino, para eventos sem ligação com o múnus da Justiça.
As pessoas se apropriam das coisas do Estado. Se isso acontecesse em um país escandinavo, primeiro, seria respeitado o sigilo da fonte; e, segundo, isso seria um escândalo gigantesco. Na Finlândia, na Dinamarca, na Suécia, na Noruega, os ministros da Suprema Corte vão de bicicleta ou de metrô para o trabalho, e não têm nem residência paga pelo Estado, nem roupa lavada. Eu cheguei a conhecer um ministro do Supremo que lavava e passava a própria roupa, e fazia sua comida – acho que era Néri da Silveira, mas já não estou certo. O certo é que nós não podemos nos acostumar com esse tipo de mordomias e regalias.
Não vou entrar na questão individual, porque eu não conheço todos os detalhes; há inclusive uma informação que procura justificar a busca e apreensão alegando que Raimundo Cutrim teria transferido R$ 100 mil para o jornalista Luís Pablo. Em geral, jornalista recebe a informação e agradece. Se o jornalista levou algum dinheiro, precisa procurar outra coisa para fazer, porque não é mais digno de continuar no jornalismo. Em toda a minha vida de jornalista, só houve uma tentativa de me subornar, que eu narrei no meu livro. Calim Eid ficou com a mão estendida, segurando um maço de dólares, e eu fui embora, obviamente – e publiquei tudo depois, essa tentativa de me dar um presente. Jornalista não aceita presentes.
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Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



