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Alexandre Garcia

Alexandre Garcia

Julgamento de Moraes

Gilmar Mendes é o decano do STF, mas se porta como se fosse seu dono

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Gilmar Mendes, aliado de Moraes, tumultuou julgamento desta terça-feira no STF. (Foto: Alejandro Zambrana/TSE)

A sessão desta terça-feira no STF, que durou o dia inteiro, me lembrou minha adolescência, os meus 15 anos, quando eu era diretor social da União Cachoeirense de Estudantes. Era um bate-boca danado. Depois, quando eu presidi o Centro Acadêmico do Jornalismo na PUC, em Porto Alegre, tínhamos mais senso de cortesia, de manter os ritos da boa educação. No Supremo, o ministro Gilmar Mendes demonstrou a toda hora que tinha pouco controle do seu temperamento. Gilmar atropelou principalmente André Mendonça, mas também atropelou o próprio presidente Edson Fachin. Gilmar é o mais antigo, é o decano, já presidiu o STF, é tido como um Richelieu do Supremo, um poder atrás da cadeira do presidente. Gilmar quis impor sua vontade, e Fachin foi resistente.

Cármen Lúcia fez um ótimo voto

A ministra Cármen Lúcia, no seu voto brilhante, disse que houve muita “espetacularização”. Mas vamos analisar: são R$ 131 milhões em um contrato com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, aportes de dezenas de milhões de reais no Tayayá do Toffoli, que depois perdoa R$ 10 bilhões em multas de quem aportou dinheiro lá... não é espetacularização, os fatos é que são muito graves. O povo brasileiro acompanha tudo isso boquiaberto e, com o que aconteceu no Supremo, com esse bate-boca todo, há um desgaste para o lado que está apoiando Moraes e querendo pegar Mendonça por ter ido atrás dos fatos.

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O voto da ministra pode inspirar até decisões posteriores. Ela se disse envergonhada com o que estava acontecendo, triste, pediu desculpas ao povo brasileiro e votou com Fachin, que é o relator, para que não votassem o pedido de investigação de Moraes junto com um pedido semelhante contra Mendonça. Ela chegou a sugerir – e Mendonça deve aproveitar a sugestão – que a palavra do procurador-geral da República não é definitiva e está sujeita a uma revisão por parte do Supremo. E Mendonça pediu exatamente isso sobre aquela manifestação de Paulo Gonet, em que o procurador-geral dizia que o relatório com as descobertas da Polícia Federal sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes era nulo de pleno direito; os juristas dizem que é o contrário: o parecer de Gonet que é nulo, pois ele também está envolvido.

A hipocrisia dos ministros que apoiam Moraes

Depois do bate-boca, o ministro Flávio Dino pediu vista, contrariando a própria posição dele. Ele reclamou que, do jeito que as coisas estavam andando, tudo aquilo ainda levaria meses. E então ele pede vista, adiando a resolução do caso. Mas essa não foi a única contradição ou hipocrisia. Dino, Gilmar e Moraes ainda acusaram Mendonça de fazer tudo aquilo que eles mesmos fizeram ao longo do “inquérito do fim do mundo”. Claro, eles já conhecem o mecanismo, e resolveram acusar Mendonça de fazer o mesmo com motivos eleitorais.

Aliás, nem precisa haver motivo eleitoral: basta ver quem se desgasta com esse julgamento, quem é ligado a Moraes. Quem está defendendo Moraes? A esquerda sempre o defendeu, porque Moraes prendia os bolsonaristas. Logo que Malu Gaspar publicou sobre o contrato do Master com a esposa de Moraes, em dezembro do ano passado, Lula poderia ter dito: “eu fiz um juramento de defender a Constituição, e a Constituição diz que ministro do Supremo tem de ter reputação ilibada. Portanto, tem de investigar”. Poderia ter feito isso, mas se calou. O presidente do Senado também. Todos os que juraram defender a Constituição se calaram.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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