
Na segunda-feira o presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu enviar para a Comissão de Constituição e Justiça a proposta de emenda constitucional para reduzir a jornada de trabalho no Brasil, acabando com o 6x1, como é conhecida a jornada atual. A Constituição diz, no artigo 7.º, dos direitos sociais, que a jornada de trabalho não deve exceder 44 horas semanais. Como é possível haver negociação? A média da jornada de trabalho no Brasil, segundo os entendidos, está em 38,5 horas por semana. Baixar para 36 horas significa tirar um ano e cinco meses por década.
Parece que o Brasil não precisa de trabalho. Já está faltando mão de obra, porque o pessoal fica pendurado no Bolsa Família – esse vai ser o meu assunto nos jornais nessa semana. É um absurdo. Se fosse um país que estivesse esbanjando riqueza, tudo bem, vamos trabalhar menos. É claro que quem trabalha pensa com imediatismo, pensa “muito bom, vou ter mais tempo para farra, para festa, para tomar algumas, talvez brigar até”. Sindicato já está achando bom, 66% das pessoas estão achando bom. Mas as consequências já virão em um ano. Mais inflação, porque alguém que vai pagar o mesmo salário para menos trabalho terá de cobrar no produto final. E menos emprego, porque quem ganha mais será substituído por quem aceita ganhar menos. E a produção geral do país vai diminuir.
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Partidos não têm mais projetos de verdade, estão todos iguais
Ouvi o presidente Lula dizendo que será candidato só mais uma vez e que não quer outro mandato, mas que está muito bem de saúde – e está mesmo, com 80 anos está bem, constatamos isso. Mas ele está reclamando que o partido não tem projeto para essa campanha. Qual é o projeto para estimular os jovens, os eleitores de primeira eleição, a votar no PT? Essa é uma pergunta que pode ser feita para outros partidos também. Eles estão esquecendo de programa, porque os partidos todos ficaram iguais. Todos têm o mesmo programa: combater a fome, combater a pobreza, dar segurança pública, isso e aquilo, tudo a mesma coisa. Chamem o Paulo Guedes para fazer um programa que tire o país dessa sinuca de bico, de uma dívida pública que engole, só em juros, R$ 1 trilhão por ano. Quem é que resiste a isso, gastando cada vez mais e desestimulando o trabalho com o Bolsa Família?
Mais uma denúncia de importunação sexual contra ministro do STJ
Apareceu mais uma denúncia de importunação sexual contra o ministro do STJ Marco Aurélio Buzzi – que está internado e nega tudo. Por que isso só aparece agora? Porque as pessoas ficam caladas. Segundo a primeira moça a fazer denúncia, a de 18 anos, que teria sido assediada no mar, ele teria dito a ela que fosse discreta se quisesse subir na vida. A outra estava sendo discreta, e sabe-se lá quantas estão sendo discretas para poder subir na vida, mas esta segunda denúncia foi de alguém que estava quieta, mas tomou coragem. Que escândalo! O sujeito é ministro do Superior Tribunal de Justiça, que é a última instância para assuntos criminais – assunto criminal não vai para o Supremo, só se for uma questão constitucional; mas esse Supremo de hoje aceita tudo.
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Piloto é preso na cabine de avião, acusado de pedofilia
Falamos de funcionários do Estado, mas temos um caso de um funcionário de uma empresa aérea, a Latam, preso antes da decolagem em Congonhas, já no cockpit de comando, com as quatro listrinhas de comandante no ombro. Sérgio Antônio Lopes, 60 anos, foi preso por pedofilia: ele “alugava” crianças ou meninas e as levava ao motel falsificando a identidade. Uma avó de 55 anos também foi presa; ela alugava as três netas para o piloto. Vi que ele entrou na viatura policial ainda com o uniforme da Latam, mas quando saiu já não estava mais, usava só a camiseta de baixo. Talvez os policiais tenham recomendado que ele tirasse o uniforme, que a empresa não tinha nada a ver com isso. É vergonhoso convivermos com isso.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



