Publicidade
Danilo de Almeida Martins

Danilo de Almeida Martins

Carta de José

E se eu disser que não poderei comemorar o Dia do Nascituro com vocês?

Esta é uma despedida de um bebê que teve sua vida ceifada e que, em tom de oração, fala à mãe sobre sua morte e sobre Deus. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)

Ouça este conteúdo

E se eu te disser que não posso citar maiores detalhes da minha história, para não comprometer outros inocentes?

E se, sexta-feira passada, eu tinha 8 meses de vida?

E se eu te contar que minha mãe, com 18 anos, estava desesperada?

E se ela foi enganada pelas feministas da Secretaria de Saúde da minha cidade?

E se, por isso, ela aceitou que me matassem?

E se minha mãe não encontrou suporte na própria família?

E se alguns do movimento pró-vida, de bom coração e de boa vontade, tentaram convencer mamãe a não seguir adiante, mas ela não conseguiu ouvi-los?

E se eu tive a infelicidade de ter o meu caso analisado por uns advogados que simplesmente negaram meu direito de defesa e não impetraram um habeas corpus em meu favor?

E se, por isso, minha mãe entrou num ônibus para Uberlândia, na noite da última quinta-feira?

E se eu e ela viajamos chorando a noite inteira?

E se naquele hospital os médicos não seguem o juramento de Hipócrates?

E se eles torturam e matam vidas, ao invés de salvá-las?

E se eles seguiram enganando a mamãe, dizendo que abortar era a única solução?

E se eles, no mesmo dia, fizeram isso com outros dois bebês, que tinham quase a minha idade gestacional?

E se eu estava seguro no ventre da mamãe e, de repente, não estava mais?

E se eles invadiram meu aconchegante ninho com uma enorme agulha?

E se eu tentei me desvencilhar das agulhadas, mas não consegui?

E se eu tentei gritar, mas ninguém ouviu?

E se eu comecei a sentir uma dor inimaginável com aquele ácido que queimava o meu tórax?

E se, finalmente, depois de horas, aquela tortura agonizante chegou ao fim e meu coraçãozinho parou, completamente carbonizado?

E se, agora, não sentirei mais o colo da mamãe?

E se ela, agora, não mais saberá como é o meu sorriso?

E se eu, agora, não poderei mais ver seus olhos enquanto amamento em seu seio?

E se ela, agora, vai ficar sozinha, sem a minha companhia?

E se eu, agora, não terei mais a mamãe para me ensinar a falar, a andar, a brincar e amar?

E se ela, ao menos, tivesse sido instruída para me deixar ser adotado?

Mas... acabou a incerteza. Não existe mais o “e se”.

Cheguei a um lugar onde não há mais dúvida, dor, ódio ou injustiça. Aqui só reina a Paz, o Amor e a Verdade.

Daqui, seguirei cuidando da mamãe, rezando e intercedendo para que ela reencontre a Paz que só existe no Amor Misericordioso de Deus.

Também vou interceder para que o STF pare de chancelar a crueldade da Assistolia Fetal que ceifou minha vida, a dos outros dois bebês que morreram comigo no mesmo dia e a de tantos outros irmãozinhos que encontrei aqui no céu.

Não deixarei de rogar a nosso Deus por aqueles muitos que pensarão que a minha história é uma mentira.

Por outro lado, também intercederei com mais vigor em prol daqueles poucos que sabem que minha história é verdade, pois contribuíram para o seu triste desfecho.

Onde estou, quem menos merece é quem mais é amado.

Agora que vocês sabem por que não posso estar aí com vocês comemorando o Dia do Nascituro, despeço-me de todos assinando meu nome, pois tive a graça de ter sido batizado por uma amiga nos meus últimos momentos.

José († 02/10/2026)

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.