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Entrevista

Deltan diz ser vítima de perseguição e acusa PT de tentar “vencer no tapetão”

TRE-PR manda Deltan Dallagnol desativar Instagram
(Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

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O candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo-PR) voltou a movimentar suas redes sociais no último domingo (27), após a reativação de seu perfil no Instagram, que havia sido bloqueado por decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). A medida ocorre em meio a uma disputa judicial que também levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspender atos de campanha do ex-procurador da Lava Jato. Apesar das restrições, Dallagnol afirma à coluna Entrelinhas que seu nome continuará nas urnas no próximo domingo (4) e que os votos recebidos serão válidos. Ele também considera a possibilidade de a eleição ser anulada, o que poderia levar à realização de um novo pleito.

Entrelinhas: Qual é a situação jurídica da sua candidatura e quais medidas ainda estão pendentes?

Deltan Dallagnol: Continuo candidato ao Senado pelo Paraná, com registro aprovado pela Justiça Eleitoral. Meu nome estará na urna em 4 de outubro e os eleitores poderão votar em mim. O TSE suspendeu apenas os atos de campanha, sem cancelar a candidatura, ou seja, eu não posso pedir voto e não posso pedir que façam isso por mim, mas as pessoas e meus apoiadores podem pedir voto para a nossa candidatura. Essa distinção precisa ficar muito clara para que os paranaenses não sejam enganados.

Nossa defesa está trabalhando para reverter essa censura eleitoral que estamos sofrendo por causa de Lula, Gleisi e o PT, que não conseguem nos vencer nas urnas, e por isso tentam nos vencer no tapetão, na canetada. Não conseguirão.

Queremos que o TSE examine as provas que levaram a Justiça Eleitoral do Paraná a reconhecer minha elegibilidade, com manifestação favorável do Ministério Público Eleitoral, e mantenha o deferimento do registro.

Entrelinhas: Considera que está sendo alvo de perseguição política?

Deltan Dallagnol: Sim. Eu sou o único candidato ao Senado na história do Brasil que teve o registro deferido pela Justiça Eleitoral, estará nas urnas, poderá ser votado normalmente pelos eleitores, mas que está proibido de pedir votos. É perseguição política e é também uma violência jurídica de Gleisi, do PT e de um ministro do TSE indicado por Lula e amigo de Alexandre de Moraes, em um processo sigiloso, sem que meus advogados tivessem acesso aos autos ou oportunidade de se manifestar antes da decisão.

E eles fazem isso justamente na reta final da campanha, contra o candidato que está na liderança das pesquisas eleitorais, como a pesquisa Neokemp mais recente, em que estou com mais de 48% das intenções de voto. A impressão que fica é que, como a Gleisi não consegue ganhar nas urnas, fazem isso conosco para nos impedir de ir pras ruas, distribuir nosso material, pedir votos, aparecer na TV e na rádio para assim dar vantagem indevida para a campanha da Gleisi, que está atrás nas pesquisas.

Essa perseguição ocorre por dois motivos: primeiro, por conta do trabalho que eu fiz liderando a Lava Jato aqui no Paraná: prendemos Lula, Zé Dirceu e centenas de outros políticos corruptos, e recuperamos mais de R$ 25 bilhões para a sociedade, sendo que mais de R$ 1 bilhão e meio desse valor voltou para o Paraná em obras para as nossas estradas, como o Trevo Cataratas e o viaduto do Sabará, e redução de pedágio.

O segundo motivo é porque o sistema sabe que eu vou trabalhar para investigar os abusos e responsabilizar ministros que ultrapassam os limites da Constituição, inclusive por meio de impeachment, como defendo no caso de Alexandre de Moraes. É uma questão de sobrevivência para o sistema tentar me barrar de ser senador.

Entrelinhas: Como pretende lidar com as restrições à comunicação na reta final?

Deltan Dallagnol: O que está acontecendo na nossa candidatura é surpreendente: mesmo com toda a perseguição e mesmo proibido de pedir votos, meu nome aparece na liderança das pesquisas para o Senado aqui no Paraná: estou com mais de 48% na pesquisa Neokemp desta terça (29) e ocupo o primeiro lugar nas últimas três pesquisas do Paraná Pesquisas.

Várias decisões que a Justiça Eleitoral, por conta da decisão ilegal do ministro amigo de Moraes, tomou contra a nossa campanha recentemente estão sendo revertidas, e temos tido vitórias importantes, como a reativação do nosso Instagram depois de dois dias fora do ar. Estamos cumprindo todas as decisões da Justiça Eleitoral, e nossos advogados seguem demonstrando isso nos processos. Não há justificativa nenhuma para me censurar.

Cada dia de proibição retira oportunidades de conversar com os eleitores, de ir pras ruas, distribuir materiais, pedir votos, enquanto meus adversários seguem fazendo campanha normalmente.

A imprensa também tem um papel fundamental ao esclarecer que continuo candidato e que meu nome estará na urna. Não posso fazer campanha nem pedir que façam por mim, mas todos os dias estamos recebendo mensagens de paranaenses dizendo, nas ruas e nas redes: “Deltan, você não pode fazer campanha, mas nós faremos por você.” Sou extremamente grato a cada um desses paranaenses.

Entrelinhas: Teme uma nova cassação caso seja eleito? Há algum nome para indicar em uma eventual nova eleição?

Deltan Dallagnol: Eu não me intimido pelo sistema, nunca me intimidei na minha vida, e não vai ser agora que vou começar. Estou confiante nas provas que levaram o TRE-PR a reconhecer minha elegibilidade e vamos defender esse resultado no TSE. Se Deus e o Paraná assim o quiserem, quero ser o soldado do Paraná em Brasília, para combater a corrupção, enfrentar os abusos do Supremo e fazer Brasília respeitar o Paraná, trazendo recursos, emendas e fiscalização de verdade para o nosso Estado.

Nenhum dos candidatos trouxe tanto dinheiro para o Brasil estando fora da política quanto eu: foram R$ 25 bilhões devolvidos ao Brasil pela Lava Jato, que eu liderei aqui no Paraná, e R$ 1,5 bilhão só para o nosso Estado.

É importante que os paranaenses não caiam em mentiras: votar em Deltan não é eleger a Gleisi. Se eu estiver entre os 2 eleitos e meu registro vier a ser indeferido, o que não acreditamos que irá ocorrer, a consequência prevista na legislação é uma nova eleição para essa vaga. O terceiro colocado não herda o mandato, e aqui no Paraná Gleisi e o PT não se criam.

Nosso foco agora está na manutenção da candidatura e no reconhecimento dos direitos dos paranaenses. A escolha de um senador pertence aos eleitores.

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