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Entrelinhas

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Entrevistas exclusivas com protagonistas da política brasileira. Debates profundos sobre os principais assuntos da atualidade.

Entrevista

Gaspar: “Não respeitamos ministros que se acham imperadores”

Alfredo Gaspar
(Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

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Relator da CPMI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) avalia que as denúncias de corrupção e os recentes episódios envolvendo o Supremo Tribunal Federal terão impacto nas eleições de 2026. Para ele, o eleitor está cansado de escândalos envolvendo dinheiro público e deverá cobrar respostas nas urnas.

Gaspar foi responsável pelo relatório final da CPMI que investigou o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O documento, com mais de 4 mil páginas, apontou a existência de núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político no esquema e recomendou o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o banqueiro Daniel Vorcaro. O relatório, porém, foi rejeitado pela comissão por 19 votos a 12, e a CPMI terminou sem um parecer final aprovado.

Nesta entrevista exclusiva à coluna Entrelinhas, Gaspar também comenta a crise envolvendo o STF e o ministro Alexandre de Moraes, critica a postura da Corte diante das suspeitas relacionadas ao Banco Master e afirma que os episódios podem aprofundar a desconfiança da população em relação às instituições. Sobre as acusações envolvendo Lulinha e o esquema do INSS, vale destacar que a defesa do filho do presidente nega envolvimento em irregularidades e que ele não é formalmente investigado pela Polícia Federal, segundo informações divulgadas à época.

Entrelinhas: O quanto os últimos escândalos de corrupção devem se refletir nas eleições?
Gaspar: A corrupção se generalizou e nunca esteve tão presente entre os Poderes da República. Isso é desde o escândalo de corrupção do INSS, que tirou bilhões dos aposentados e pensionistas. Foi no governo Lula que essa fraude explodiu, com a estrutura do Ministério da Previdência envolvida e com o próprio filho do presidente, o Lulinha, aparecendo no meio do esquema de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Entrelinhas: O impacto no bolso do brasileiro também pesa?
Gaspar: O brasileiro está cansado de ver o dinheiro público ser saqueado enquanto falta saúde, segurança e ações voltadas para melhoria do país. Isso não pode passar em branco nas urnas. Quem rouba o povo tem que pagar a conta nas eleições. Nós mostramos exatamente isso: o PT e o Lula se transformaram no caloteiro da esperança. O povo quer oportunidades de verdade, não falsas promessas que se repetem a cada ano eleitoral e que nunca são concretizadas.

Entrelinhas: Qual o impacto da crise do STF na opinião pública no momento?
Gaspar: A cada dia fica mais claro que existe um sistema que se protege mutuamente. Lula é Moraes, e Moraes é Lula, e eles tem parte do Supremo.
Quando a população vê um ministro envolvido em escândalo com banqueiro investigado e a Corte consegue adiar qualquer decisão séria, a credibilidade da instituição fica comprometida. As pessoas estão entendendo que a “salvação da democracia” virou desculpa para enriquecimento ilícito e perseguição política.

Entrelinhas: A repercussão dos escândalos está sendo forte o suficiente para romper com a blindagem de autoridades?
Gaspar: Essa crise está tirando a máscara de muita gente. E quanto mais o sistema tenta se proteger, mais a opinião pública se revolta. O povo quer Justiça de verdade, não um Supremo que funciona como escudo de poderosos. O povo cansou de ser enganado. O brasileiro não é bobo e não aguenta mais ser enrolado.

Entrelinhas: Qual a sua visão sobre a postura do STF na sessão da semana passada, que deveria decidir o futuro de Moraes?
Gaspar: Nós respeitamos a instituição do Supremo Tribunal Federal. Mas não respeitamos ministros que rasgam a Constituição e se acham imperadores do Brasil.
Alexandre de Moraes perdeu completamente a condição de permanecer ministro. As revelações sobre a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro são gravíssimas. E o que vimos na sessão de terça-feira foi o sistema se protegendo. Fomos feitos de patetas. Moraes e Lula são o sistema corrompido e podem tudo.
Não vamos admitir que um magistrado use o cargo para perseguir adversários políticos e depois seja blindado pela própria Corte. Isso não é Justiça. Isso é impunidade.

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