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Se tem uma coisa que devemos admirar na esquerda é a sua empáfia, a sua capacidade monumental de exercer a cara-de-pau. Os progressistas desempenham a hipocrisia quase como uma arte; tem coisa mais espetacular do que Lula carregando uma imagem de Nossa Senhora e falando em defesa da padroeira do Brasil?
A cena lembra um Odorico Paraguaçu, uma cena de coronelismo de Glauber Rocha, com um desses personagens mentirosos, demagogos, que usam de qualquer artifício, mentira e encenação para fazer o povo comover-se e mobilizar-se pela sua causa. E Lula fez isso logo com o tema da religião e do cristianismo, contra os quais a esquerda brasileira tem investido há décadas.
Os progressistas têm, como projeto escatológico, a erradicação de toda e qualquer religião. Por satisfazer anseios espirituais e assim amainar o ímpeto de desespero niilista a que todo ser humano pode sucumbir, a religião é um grande obstáculo à mobilização comunista. Para que vou-me sacrificar em nome de um projeto político se estou em paz com a vida? Em paz com o planeta, com a família, com a Criação?
O que resta para a esquerda é acusar os outros de fascistas, de autoritários, de 'antidemocráticos', para assim enquadrar toda e qualquer eleição como uma disputa fatal maniqueísta: ou você vota na esquerda ou será o fim da democracia!
O comunismo quer fomentar o desespero existencial, o pavor, a revolta, a histeria, para assim mobilizar os desamparados em torno de sua causa. Certamente não será no seio religioso que a esquerda logrará fomentar a revolta contra a Criação, a insatisfação geral contra “tudo o que aí está”, o niilismo total que carrega os incautos para a prática revolucionária. É por isso que o comunismo afirma que a religião é o “ópio do povo”, e precisa ser assim eliminada pelo “ateísmo militante” dos comunistas.
É por isso que poucas vezes se verá hipocrisia, falsidade e mentira maior do que um comunista defendendo a religião. Mas a despeito de toda a nossa surpresa, não se pode dizer que se trata de uma novidade: toda a ideologia, toda a visão de mundo, todo o conjunto de ideias da esquerda atual é uma grande coleção de mentiras e “fake news”.
Dizem que a esquerda pratica “fake news”; sim, mas acaso ela tem outro recurso? O que a esquerda atual tem a oferecer à nação?
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Vejam-se os problemas que temos atualmente: a insegurança urbana, a corrupção, a carestia, o eterno subdesenvolvimento econômico, a precariedade dos serviços públicos (como saúde e educação), as pautas ideológicas que contaminam nossos valores, e assim por diante. Analisemos cada um desses pontos; acaso a esquerda tem resposta nova para algum desses problemas?
Absolutamente tudo o que eles têm a oferecer são respostas velhas, ineficientes, disfuncionais, que terminam por agravar os problemas.
E então o que resta para a esquerda é acusar os outros de fascistas, de autoritários, de “antidemocráticos”, para assim enquadrar toda e qualquer eleição como uma disputa fatal maniqueísta: ou você vota na esquerda ou será o fim da democracia! Ou você vota na esquerda, ou será o fim da sua liberdade religiosa!
Mas é só desta vez; vote só desta vez na esquerda, para preservarmos a democracia e a religião. Vote na esquerda e depois a critique, mas vote, só desta vez! E depois nas eleições seguintes eles voltam com o mesmo discurso, fomentando o mesmo desespero existencial, revelando a cada quatro anos que, na realidade, ninguém precisa mais deles.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Gustavo Maultasch é diplomata e autor do livro "Contra toda Censura: Pequeno Tratado sobre a Liberdade de Expressão", lançado pela Avis Rara. É formado em direito pela UERJ, mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco e doutor em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago. Foi Network Fellow do Centro de Ética de Harvard (2013-2014). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



