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Era uma linda manhã e fui rezar no Santuário Mãe Esmagadora da Serpente, um dos meus lugares preferidos em Londrina. Sempre que vou àquela capela, fonte de graças para a humanidade, saio de lá sentindo-me forte, feliz e amado por Deus. Faço isso quase todos os dias. Rezo pelos amigos, pelos inimigos e pelos ex-amigos.
Estava meditando os mistérios do meu terço — as passagens da vida de Cristo pelos olhos de Maria — quando notei a presença de duas senhoras que nunca tinha visto por lá. Percebi que elas faziam anotações em um caderno; é possível que sejam devotas da Mãe Rainha e estivessem fazendo as suas contribuições ao Capital de Graças do Santuário.
Naquele momento, porém, lembrei-me de que uma ONG esquerdista monitorou mais de 3 mil missas católicas e cultos evangélicos no Brasil, em busca de “crimes eleitorais”. Por um momento, pensei: estariam aquelas senhoras envolvidas com uma investigação dessa natureza? Creio que não; eram peregrinas.
Afastei esses pensamentos intrusivos de minha cabeça e voltei a rezar e meditar. Ao fim de cada mistério, repetia a jaculatória de sempre:
“Ó Virgem dolorosíssima, as vossas lágrimas derrubaram o império infernal”.
Então me vieram à mente algumas cenas estranhas. O militante pichando a estação de metrô com slogans revolucionários. Uma horda de fanáticos incendiando Paris e hasteando a bandeira da Palestina na Torre Eiffel. Ateus declarando amor a Nossa Senhora. Um gari brasileiro e um cidadão parisiense limpando a sujeira deixada pelos militantes esquerdistas na Avenida Paulista e na Champs-Élysées. O corpo de Celso Daniel na estrada de terra em 2002. Os inocentes do 8 de janeiro. Roberta Luchsinger, a sócia de Lulinha, temendo pela vida de suas filhas.
De repente, no meio de uma Ave-Maria, as imagens estranhas foram substituídas pela figura do padre Duarte Lara, que dizia:
“Nos últimos anos, o povo está sendo mais fiel rezando o Santo Rosário. E agora vem a boa notícia: as muralhas estão caindo. O Santo Rosário é a arma: Maria está pisando na cabeça que a serpente tem aqui no Brasil”.
Olhei para as contas do Rosário em minhas mãos e me dei conta de que ele é a arma que vai exorcizar o nosso país. Por isso, ao fim do último mistério, dirigi-me à Esmagadora da Serpente com uma oração que tem sido constantemente repetida no Santuário:
Querida Mãe,
Diante da grandeza das aflições que oprimem nosso povo e nossa pátria, sentimos profundamente a nossa pequenez filial. Confiando, porém, inabalavelmente em tua sabedoria, tua bondade e teu poder, colocamos em tuas mãos maternais o destino da nossa pátria.
O Brasil é consagrado ao teu Imaculado Coração. Por isso, neste tempo angustiante, mostra-te como o grande sinal no céu de nossa pátria e ergue aqui um monumento de teu amor e poder.
Revela tua magnificência como Rainha e Esmagadora da serpente infernal.
Recebe a coroa e o cetro. Nós te proclamamos e coroamos solenemente como Rainha e Presidente de nosso povo e de nossa pátria. Amém.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



