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Paulo Briguet

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“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Vitória do Brasil

Crônica de um milagre eleitoral: o começo do fim da ditadura PT-STF

Flávio Bolsonaro
O Brasil tem 21 dias para confirmar o milagre eleitoral que presenciamos e salvar seu futuro. Não será fácil. Mas quem disse que seria? (Foto: André Borges/EFE)

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1. Meus sete leitores sabem que eu acredito em milagres. Na verdade, é algo que vai além de uma simples crença: eu pertenço à religião do milagre. Sempre digo que não somos nós que explicamos o milagre; é o milagre que nos explica. Ele é o fundamento da realidade.

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Por isso, apesar de todas as tribulações que nós vivemos nos últimos anos, eu acreditava que ocorreria um milagre nestas eleições. Os resultados eleitorais de hoje foram o começo do fim do Regime PT-STF e do domínio da esquerda sobre o futuro do Brasil.

2. Meu domingo de eleição começou no sábado, precisamente às 15 horas, na capela do Colégio Mãe de Deus, onde me reuni com um grupo de amigos e irmãos de fé para rezarmos o Santo Rosário pelo Brasil. Sempre fazemos esse encontro no primeiro sábado de cada mês, mas desta vez foi diferente, por motivos óbvios. Havia em todos os rostos uma combinação de esperança e apreensão, de euforia e angústia. Lembramos São Francisco de Assis — que foi para o Céu há exatos 800 anos — e entoamos a oração de Nossa Senhora das Lágrimas, em desagravo às ofensas e mentiras com que a esquerda tentou sujar o nome de nossa Santa Mãe:

“Ó Virgem dolorosíssima, as vossas lágrimas derrubaram o império infernal”.

Dentro de nossos corações havia a certeza íntima de que todos aqueles que desrespeitam a Mãe de Jesus hão de, cedo ou tarde, sofrer as consequências. A pancada virá, e será pesada. Porque foi o próprio Deus que pôs inimizade entre a serpente e a Mulher.

3. Ainda na noite de sábado, meu domingo de eleição migrou para a Santa Missa, em que o Evangelho do dia era a perturbadora parábola dos vinhateiros assassinos. A história, narrada por Jesus, nos coloca diante dos trabalhadores desonestos — aqueles que, em vez de entregar ao proprietário o que não lhes pertence, espancam seus emissários e, por fim, decidem matar-lhe o próprio filho para usurpar a vinha. Essa parábola fala de um fenômeno que temos observado no Brasil durante os últimos 24 anos: a obstinação no crime e no pecado. Grande será a ira que se abaterá sobre esses bandidos!

Mas, como prova de infinita generosidade, Deus nos presenteou durante a missa com uma voz de celestial doçura, que acalmou nossos corações pela consolação da música. Cheguei mesmo a pensar que o Anjo da Guarda do Brasil — esse que, podem estar certos, não tira os olhos de nós e padece os nossos padecimentos — deve possuir uma voz semelhante.

4. E veio a tempestade. Na manhã de domingo, por volta das 5 horas, os ventos uivaram com força e um pequeno dilúvio caiu sobre a cidade. Acordei com o barulho da chuva forte tamborilando na janela. Será um sinal dos céus? Na literatura clássica, como ensinava o saudoso professor José Monir Nasser, a tempestade sempre é o sinal de grandes mudanças na ordem dos acontecimentos. Há uma fúria dos elementos em todas as maiores tragédias de Shakespeare — Rei Lear, Otelo, Hamlet, Macbeth, Júlio César — e também na sua última peça, que leva exatamente o nome de “A Tempestade”. Estaria Deus prenunciando que a alma do Brasil seria finalmente lavada?

5. No silêncio do quarto — o dia ainda não nascera — veio-me à mente a imagem daquele púlpito vazio sumariamente censurado pela juíza Estela (a amiga do comunista), levando a Globo a cancelar, pela primeira vez em sua história, o debate antes das eleições. Inevitável pensar no antigo ditado espanhol: “Cría cuervos y te sacarán los ojos”. Cria corvos — e eles arrancarão teus olhos.

Durante os últimos sete anos, a Globo deu comida, abrigo e apoio aos corvos da censura e da tirania. De repente, os corvos resolveram atacar seu cuidador.

6. Fiz a minha parte. Expliquei. Desenhei a explicação. Expliquei o desenho. Desenhei a explicação do desenho. Falei em verso, em prosa, em música. Só não dancei maxixe porque não ficaria bem para um senhor de 56 anos. Alertei para a extrema gravidade da situação e para o risco de um colapso absoluto. Só não obriguei ninguém a fazer nada, porque a liberdade é algo concedido por Deus e que nenhum homem ou instituição humana pode retirar de alguém.

Mas, ao menos em casa, acho que fiz um bom trabalho. Meu filho de 16 anos votou neste domingo pela primeira vez. Quão diferente foi o seu voto daquele que um garoto de 19 anos, com a estrelinha no peito, depositou na urna em 1989!

7. Tudo o que vi nos últimos dias — o Rosário, a jaculatória das lágrimas, a Missa, a voz do anjo, a tempestade, o púlpito vazio — eram sinais do milagre que estava por acontecer. Eu avisei a eles que mexer com Nossa Mãe não era uma boa ideia. Agora, o Brasil tem 21 dias para confirmar esse milagre e salvar o futuro. Não será fácil, mas quem disse que seria?

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