
Ouça este conteúdo
Há um velho adágio segundo o qual “quem não é socialista antes dos 40 anos não tem coração e quem continua socialista depois dos 40 anos não tem cérebro”. Discordo profundamente dessa frase. O esquerdismo é uma doença do espírito, um estado de rebelião contra a realidade. Não podemos desejar a ninguém — muito menos a um jovem que poderia ser nosso filho — que seja dominado por uma moléstia devoradora da inteligência.
O esquerdismo (ou, mais precisamente, a mentalidade revolucionária), conforme atestam os trabalhos de Andrew Lobaczewicz, Lyle Rossiter, Roger Scruton e Theodore Dalrymple, para citar apenas alguns, é um muro que se ergue entre a pessoa e a realidade. Nos casos mais extremos, essa doença leva à destruição da alma.
Ademais, o ditado sobre o socialismo cria uma falsa oposição entre coração e inteligência. Ora, o coração, no sentido clássico, não é apenas a sede dos sentimentos, mas representa o centro da consciência individual, para o qual confluem razão, intelecto, vontade, sentimentos, moral e virtudes. Não por acaso, o Sagrado Coração de Jesus é visto por nós, católicos, como a própria fonte da realidade.
Por isso, sinto-me feliz com o sucesso de uma nova geração de lideranças conservadoras nas recentes eleições parlamentares.
São jovens que felizmente não desperdiçaram seus melhores anos a serviço de ideologias nefastas
São jovens que felizmente não desperdiçaram seus melhores anos a serviço de ideologias nefastas e movimentos contrários à fé e à razão humana, e que cedo compreenderam o valor daquilo que realmente importa na vida. Infelizmente, como sabem os meus sete leitores, eu fiz isso. Felizmente, me arrependi e mudei.
Uma dessas lideranças é a minha amiga Eduarda Campopiano. Conheci a Duda em 2021, quando ela surgiu com seus vídeos nas redes sociais. Ao contemplar aquela menina de cabelo vermelho falando sobre conservadorismo com sensatez e graciosidade, eu disse a meu amigo Silvio Grimaldo:
— Cara, o Olavo venceu. A menina de cabelo vermelho está falando dele.
Entrevistei a Duda no CPAC 2022, em Campinas, e mais uma vez me encantei com a sua inteligência e maturidade. Na época, com apenas 19 anos, ela já estudava ciências políticas e discorria sobre temas complexos, em uma linguagem facilmente compreensível para os jovens. Continuamos mantendo contato ao longo destes anos. Acompanhei sua eleição para a Câmara de Praia Grande, como vereadora mais votada da cidade litorânea. Mas a maior alegria, sem dúvida alguma, foi testemunhar a sua conversão para a Igreja Católica.
Estava aqui fazendo as contas. Duda nasceu em 22 de julho de 2003, no primeiro ano do governo Lula, quando eu já havia abandonado o esquerdismo! Agora estamos assim: Lula, após destruir o país em quase 20 anos de governos petistas, está muito perto de ser demitido pelo povo, enquanto a menina que nascia naquele ano se tornou deputada estadual com a marca histórica de 1,9 milhão de votos. É a imagem perfeita de uma era que está morrendo e outra que está nascendo.
É claro que Duda não foi a única. Os piás Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato tiveram, cada um, mais de 3 milhões de votos para deputado federal em seus estados: a maior votação da história. Com sua imensa capacidade de mobilizar as pessoas, Nikolas percorreu Minas Gerais ao lado de Flávio Bolsonaro e ajudou a consolidar a vitória do filho de Jair sobre Lula por 5 pontos percentuais naquele Estado decisivo, que é uma síntese do Brasil. O piá é de ouro.
Júlia de Castro, a menina que enfrentou a esquerda na universidade, foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro. Minha amiga Ana Campagnolo, que já era recordista de votos na Assembleia de Santa Catarina, dobrou a sua votação em 2026, ao passo que Júlia Zanatta reelegeu-se para a Câmara com votação histórica, sendo a mais votada entre os catarinenses. Jeffrey Chiquini e Guilherme Kilter tiveram votações históricas e representarão os paranaenses na Câmara dos Deputados. E os deputados estaduais mais votados no Paraná foram meus amigos Paulo Melo e Jessicão.
No Senado, tão decisivo para o futuro da República, a nova geração também brilhou, com a eleição de políticos na faixa dos 30-40 anos, como meus amigos Filipe Barros, Carol de Toni, Carlos Jordy e Marcel van Hatten. Todos renovam as minhas esperanças. Que Deus os abençoe em suas jornadas e desafios. O Brasil precisa muito deles.
Canal Briguet Sem Medo: Acesse a comunidade no Telegram e receba conteúdos exclusivos.

Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



