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Serial kisser

Beijoqueiro: imagine hoje em dia!

BEIJOQUEIRO
O Beijoqueiro em sua primeira grande aventura, tascando um ósculo (!) em Frank Sinatra. (Foto: Reprodução/Imagem melhorada por IA)

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Para encerrar uma semana insuportavelmente agitada, resolvi falar de José Alves de Moura. Já ouviu falar dele? Que tal... Beijoqueiro? Aí, sim! Se você tem certa idade deve se lembrar dessa figura do folclore nacional: o sujeito cuja vocação era figurar nas manchetes dos jornais beijando celebridades. Um serial kisser, termo que o cineasta Carlos Nader teve a presença de espírito de criar para se referir ao homem que foi preso dezenas de vezes e teve dentes e costelas quebrados na tentativa de... distribuir beijos. Nada além de beijos.

Assédio? Não. Claro que não! Não eram beijos sexualizados. Eram apenas demonstrações de afeto. Um afeto doidinho. Coisa à toa e sem maiores consequências. E tudo começou em 1980, com um beijo no rosto de ninguém menos do que Frank Sinatra. No final de “My Way”. A ele se sucederam personalidades da música (Tony Bennett, Roberto Carlos), do esporte (Pelé, Garrincha), políticos (João Figueiredo, Leonel Brizola) e o papa João Paulo II, que merece um parágrafo à parte. Ah, e houve também aqueles que o Beijoqueiro tentou, mas não conseguiu beijar. Tipo o Senna. Mas vamos ao Papa.

Imagina hoje em dia!

Num abuso jurídico até então sem precedentes (até então!), o Beijoqueiro foi preso preventivamente no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. O crime? Ter expressado sua intenção (intenção!) de beijar o Sumo Pontífice. Mas aí deram mole e, em Manaus, ele conseguiu dar 17 beijos nos pés do Papa. Alguém contou. E a história não para por aqui. Minto, para sim. Porque os beijos do Beijoqueiro eram, já disse, sem maiores consequências. Não eram uma causa. Eram uma loucura inocente. Como se sentar para descascar uma laranja e a casca sair inteirinha.

“Imagina hoje em dia!”, me diz alguém. Pois é. Imagina. O Beijoqueiro certamente seria influencer. Talvez até senador! Talvez fosse preso tentando beijar Alexandre de Moraes... E você está aí se perguntando por que esse idiota (no caso, eu) decidiu escrever sobre o Beijoqueiro hoje, eis a explicação: me deu vontade de evocar essa lembrança de um tempo mais simples. De um país estranho, que dá gosto lembrar, e que se divertia com as peripécias de um homem que, mais do que um personagem folclórico, foi praticamente um poeta disposto a perder os dentes e a liberdade para expressar um afeto simples. E doidinho.

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