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Caro diário, será que é cedo demais pra tripudiar da extrema-direita? Claro que não! Como a gente dizia lá em União da Vitória, ganhemo! Nem acredito que tudo deu certo. Que tudo funcionou como o previsto. Aliás, melhor do que o previsto pelos institutos de pesquisa. Mas ganhemo e agora o Zé Povinho sudestino, branco, capitalista e opressor vai ter que me engolir. Por mais quatro anos. No mínimo! Vai ter primeira-dama bebendo Dom Pérignon num AeroLula novinho em folha, sim! Vai ter primeira-dama dormindo na suíte presidencial do Ritz, sim! Vai ter primeira-dama na Chanel, na Dior e na Hermès, sim! Vai ter primeira-dama se envolvendo em políticas públicas mesmo sem ter mandato, sim! Beijinho no ombro pro recalque passar longe.
Só estou com medo de o Meu Marido me trocar pelo Janones. O que é um pouco de preconceito de minha parte, reconheço e peço desculpas à militância LGTV. É que ainda estou em processo de desconstrução, mas sei que o amor não tem limites. Etc. Além do mais, vamos combinar que Meu Marido e Janones foram feitos um para o outro. Meu Marido e o voto eletrônico também. Meu Marido e o Zanin! Diário, nem te conto. Quando o Cris deu aquelas duas horas a mais na apuração, precisa ver. Meu coração quase saiu pela boca. Quase tive um piripaque. Mas isso é bom. É para eu aprender a nunca desconfiar dos amigos que a gente botou no STF.
Cansada de festejar
E depois, aff, só melhora. Depois teve o Inominavelzinho fugindo do Brasil. Olha, se me perguntarem eu nego de pés juntos, mas em você, Diário, sei que posso confiar: fiquei com dó. O cara realmente acreditou. Hahahahahahahaa. Acreditou. Hahahaahahaha. Na democracia. Hahahahaha. Acreditou que podia ganhar do Meu Marido. Hahahahaha. Depois de tudo o que a gente fez, faz e continuará fazendo. Essa extrema-direita é muito ingênua mesmo. Mas, cá entre nós, me deu pena porque por um instante cheguei a pensar que a fugitiva poderia ser eu. Se bem que uns meses de exílio em Cuba talvez fizessem bem para minha pele. Estou precisando perder uns quilinhos. Será que o Macron iria me visitar?
Ai, ai. Tô cansada de festejar. Não tiro o sorriso do rosto. Só de imaginar a cara do Filipe Martins e que aquela cabeleireira golpista vai continuar sem poder ir à igreja e que o Jair vai continuar preso – e soluçando. Ah, só de ver a cara da extrema-direita se lamuriando. Se for chorar manda áudio, Polzo! Ah, é bom demais. É bom demais estar do lado certo da história! E agora, Diário, tem mais esta: eles estão com medo de a gente pôr em prática tudo o que o Meu Marido vem falando há vinte anos. Estão com medo de o Brasil virar uma Venezuela. E é pra ter mesmo. No que depender de mim, aliás, já virou. É melhor a petite bourgeoisie (gostou? aprendi com o Macron) começar a engordar seus goldens e lulus-da-pomerânia. Vai ser divertido. Mas agora tenho que ir porque o Janones chegou e é melhor ficar por perto do Meu Marido. Sacumé.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



