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Querido diário. Tá circulando por aí a notícia, inventada por um cronista de província, de que o Meu Marido, desesperado pra subir nas pesquisas, se separou de mim. Mentira! E você e todo mundo deveriam acreditar em mim. Afinal, se tem uma coisa que entendo é de mentira. Ué, você não me viu toda-toda usando a camiseta do Flamengo e a medalhinha de Nossa Senhora Aparecida? Devota da padroeira do Brasil. Logo eu. Hahahaha. Tá pensando o quê? Mentir é comigo mesmo, que aprendi com o maioral: o Meu Marido. Aqui no PT nóis é profiça.
Mas agora quero falar de uma coisa triste. Aliás, duas. Primeiro, não pude ir ao casamento do Alexandre de Moraes Jr. Fazer o quê? A política tem dessas coisas. A gente não pode ficar exibindo certas amizades por aí. O que é uma pena, porque comprei um Louboutin lin-dér-ri-mo. Desses que só o dinheiro do pagador de impostos é capaz de comprar. Fica pra próxima. A outra coisa triste é que o Meu Marido realmente bebeu o uísque que ganhou do Vorcaro. Bebeu a garrafa toda de uma vez e começou a chorar, disse que não vai ganhar a eleição, essas coisas. Odeio bêbado chato.
Na vida
Por falar em chato, permita-me voltar àquela sátira mentirosa, tá me ouvindo?, men-ti-ro-sa do Popov. Meu casamento nunca esteve tão bom. Funciona assim: eu mando e Meu Marido obedece. O que mais uma mulher como eu poderia querer? Pessoal é trouxa. Até quando o Meu Marido me chama de Marisa é porque eu mandei. Pra causar. No dia em que eu chamar Meu Marido de Moacir, aí o pessoal pode ficar preocupado. Mas não tem perigo, não. Eu sei segurar a língua. Essa, aliás, é uma das coisas mais importantes que a gente aprende na vida. Na vida.
E eu não poderia encerrar este diário sem falar dos nossos cumpanheiro que estão fazendo um belíssimo trabalho no STF. O Zanin, o Alexandre e o Dino. Principalmente o Dino. Ai, como eu gosto do Dino. Ele não é uma fofura? O Gilmar Mendes, se bem que até eu (até eu!) tenho um pouquinho de nojo daquela boca pra baixo assim, ó, dele. Os caras estão mesmo empenhados em nos ajudar. Mas agora preciso ir que a Daniela Lima tá vindo aqui e eu preciso esconder uns artefatos religiosos não-cristãos. Não que eu tenha vergonha deles. É que pega mal entre a crentaiada que a gente tá tentando enganar. Digo, convencer. Um beijo e tchau.
Em tempo
Ah, uma coisinha: é mentira que, em caso de derrota (toc, toc, toc, pé de pato, mangalô trêis vêis) do Meu Marido no domingo, o Diário da Janja vai acabar.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



