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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acelerou a tramitação do fim da escala 6x1, mas ainda decidirá sobre quando levará a plenário a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. Com isso, ele afaga o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas sem lhe dar um trunfo eleitoral já.
O movimento integra a reaproximação de Lula com as cúpulas do Congresso na reta final da campanha pela reeleição. O governo negociou diretamente com Alcolumbre e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (MDB-PB), o avanço de pautas prioritárias no esforço concentrado, de olho nas urnas.
No Senado, Omar Aziz (PSD-AM) ajudou a encurtar o caminho. Seu relatório mantém integralmente o texto aprovado pela Câmara e rejeita as emendas apresentadas. Sem quaisquer alterações de mérito, a PEC não precisará voltar ao crivo dos deputados e poderá seguir direto para promulgação.
A proposta reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, sem redução salarial. No plenário, a PEC requer o sim de 49 dos 81 senadores em dois turnos. Antes, passará na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde enfrentará tentativa de obstrução da oposição.
Apesar do avanço na CCJ, pressão empresarial torna votação final difícil
O setor produtivo faz forte pressão contra o formato rígido da proposta. Entidades empresariais lançaram campanhas alertando para a alta de custos em comércio e serviços, inflação e repasse ao consumidor. A resistência abriu espaço para a oposição disputar o modelo de contratação.
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defende a flexibilização total por meio da PEC 12/2026, apelidada por críticos de PEC 7x0, que prevê o pagamento por hora trabalhada e livre acordo entre empregado e patrão. Líderes oposicionistas pediram para que as duas propostas tramitem juntas.
Forma-se, assim, uma disputa clássica de narrativas. Lula apresenta o fim da escala 6x1 como uma conquista social histórica. A direita, por sua vez, tenta evitar o desgaste de rejeitar uma pauta popular e oferece a bandeira da “liberdade de escolha” sem perder de vista a adequação para cada setor.
Nesse ambiente conflagrado, Alcolumbre equilibra-se exatamente entre essas forças opostas. Se acelerar o plenário, entrega a Lula um forte ativo eleitoral e rompe com o empresariado. Se engavetar totalmente, assume o desgaste público de bloquear o projeto e implode a trégua com o governo.
Engatilhar a PEC no plenário favorece Alcolumbre antes e depois das urnas
A estratégia de Alcolumbre parece ser aprovar a PEC rapidamente na CCJ, deixá-la pronta para pautar e parar o relógio na hora decisiva. Ele já sinalizou a aliados que não firmou compromisso com Lula de uma votação imediata no plenário. Ele poderá alegar a falta de consenso para aprovar o texto.
Sem garantir os 49 votos exigidos para efetivar a PEC, o presidente do Congresso poderá manter Lula e o governo dependentes de sua caneta para viabilizar a maior promessa do petista aos eleitores, a mesma que pode garantir marca de “algo novo” no seu terceiro e atual mandato presidencial.
Para o governo, interessa colher o dividendo político antes de outubro. Para Alcolumbre, contudo, o controle do calendário da PEC funciona também como moeda de troca tanto para suas composições atuais quanto para pavimentar a sua candidatura à reeleição do comando do Senado em 2027.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




