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Amorim diz que Trump está “mal informado” sobre eleições brasileiras

Amorim diz que Trump está “mal informado” sobre eleições brasileiras
Celso Amorim também acusou Meta de suposta tentativa de fraude eleitoral. (Foto: EFE/Andre Borges)

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O ex-chanceler e assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira (26) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está “mal informado” a respeito das eleições. Mais cedo, Trump disse, sem apresentar provas, que o pleito brasileiro "pareceu mais uma eleição fraudada".

"Ele [Trump] está mal informado. Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas colocações. Só se ele está se referindo à Meta", disse Amorim em entrevista ao portal g1.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito neste domingo (25), acusa a Meta de suposta interferência no alcance de publicações para favorecer seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP). A plataforma admitiu que falhas pontuais afetaram os perfis do petista, mas negou ter atuado para influenciar as eleições.

"Para mim, pareceu terrível. Não tomei partido [na eleição], mas pareceu mais uma eleição fraudada. As eleições precisam ser incontestáveis. E aquilo [a prorrogação da votação] me pareceu muito ruim", declarou Trump a jornalistas. 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin ordenou que as seções eleitorais ficassem abertas até às 19h em todo o país, duas horas a mais do que o previsto. Ele atendeu a um pedido da campanha petista após relatos de que o transporte público teria sido reduzido em cidades como Salvador (BA) e São Paulo (SP).

No entanto, a equipe de Flávio também solicitou a prorrogação da votação em locais afetados pelas fortes chuvas. O petista conseguiu 64,2 milhões de votos (51,79%), enquanto o parlamentar teve 59,8 milhões votos (48,21%). 

Com a oficialização da vitória de Lula, ele anunciou que não reconheceria o resultado do pleito. A proposta, porém, não foi bem recebida entre seus aliados. O senador afirmou, nesta tarde, que pretende solicitar a cassação da chapa do petista.

Questionado se pretendia tomar alguma medida em relação ao resultado da disputa brasileira, Trump respondeu que sua responsabilidade é governar os Estados Unidos. Apesar das críticas à votação, ele destacou que mantém uma boa relação com Lula. "Bem, eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos. Gosto de Lula. Me dou muito bem com ele", disse o mandatário americano. 

Alckmin diz que fala de Trump é "totalmente equivocada"

O vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que a manifestação de Trump é “totalmente equivocada” e ressaltou que líderes estrangeiros não podem interferir nas eleições de outros países. 

“Olha, totalmente equivocada, né? Primeiro, não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. Aliás, o Brasil é um exemplo para o mundo, de urna eletrônica, de segurança jurídica. Democracia é assim. Você ganha eleição, você perde a eleição, é o povo que decide. Mas o caminho é o caminho da negociação”, disse o vice-presidente em entrevista à Rede Vanguarda.

Alckmin destacou que o governo Lula seguirá negociando com os Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço. Em julho, Trump impôs duas taxas extras a produtos brasileiro: uma de 25%, referente a investigação sobre comércio digital brasileiro e o Pix, e outra de 12,5%, resultado da investigação sobre trabalho forçado.

Paralelamente ao embate político e diplomático, o mercado financeiro reagiu com forte estresse ao resultado das urnas. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), fechou em queda de 13,88%, aos 176.357 pontos. 

Durante o pregão, a B3 acionou o mecanismo de circuit breaker (interrupção temporária das negociações). O dólar comercial fechou o dia em alta de 8,21%, cotado a R$ 5,40, na maior valorização diária desde janeiro de 1999.

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