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Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu quarto mandato, a oposição deve se concentrar novamente em uma das suas principais apostas para a próxima legislatura: levar adiante o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com foco em Alexandre de Moraes.
Com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto, a direita recorre agora à força conquistada no Congresso, em especial no Senado. O PL terá a maior bancada, com 29 dos 81 senadores.
O partido busca converter esse peso em influência, em primeiro lugar para tentar eleger o presidente do Senado, responsável por encaminhar os pedidos contra ministros do Supremo. Sob Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP), a Presidência da Casa travou por anos as iniciativas da oposição contra Moraes.
Nas últimas semanas, o compromisso com o impeachment foi apresentado por parlamentares eleitos como uma obrigação com seus eleitores. “Seria uma covardia, uma traição ao povo brasileiro a gente recuar”, disse recentemente a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), em entrevista à Folha de S.Paulo.
Passadas as eleições, um dos desafios da oposição será recolocar os escândalos envolvendo os ministros no centro do debate público.
Moraes deve ser o primeiro alvo da ofensiva. Sua atuação no inquérito das fake news e nos processos contra os presos do 8 de janeiro continua na memória da oposição. As revelações recentes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tornaram a pressão por seu impeachment mais forte.
Entre as iniciativas já apresentadas contra Moraes está a representação protocolada em 30 de setembro pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e outros parlamentares. A petição reúne assinaturas de diferentes partidos e inclui até nomes da esquerda.
A maioria dos senadores da próxima legislatura já sinalizou ser a favor do impeachment de ministros. A permanência de Lula no Planalto, contudo, pode dificultar a conversão desse apoio declarado em votos para afastar um ministro.
Um senador ouvido pela Gazeta do Povo vê o risco de o governo Lula e o STF se articularem para pressionar o Senado e fazer até parlamentares favoráveis ao impeachment recuarem.
Comando do Senado será decisivo para avanço do pedido
A vitória de Lula pode fortalecer Alcolumbre no Senado e até viabilizar sua reeleição à Presidência da Casa. Segundo o colunista da CNN Caio Junqueira, o presidente do Senado já disse a interlocutores que calcula ter pelo menos 48 votos para se reeleger e que continuará sem pautar o impeachment de ministros do STF.
O PL planeja disputar o comando da Casa com Rogério Marinho (RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A disputa pela presidência do Senado será a etapa central para a direita tentar cumprir a promessa de derrubar ministros do STF. Os levantamentos feitos até agora por diversos veículos sobre o apoio ao impeachment dão estimativas de 48 a 54 senadores favoráveis, mas esses números terão pouca relevância se o Senado continuar nas mãos de Alcolumbre.
Em dezembro de 2025, Gilmar Mendes determinou, por meio de uma liminar individual, que as fases iniciais do impeachment de ministros do STF exigiriam 54 votos no Senado, em vez da maioria simples prevista em lei. A decisão ainda não foi referendada pelo plenário da Corte.
Como mostrou a Gazeta do Povo, o Senado pode tentar reverter essas restrições por meio de uma revisão no próprio STF ou de mudanças na legislação – caminho que também exigiria aprovação da Câmara e ficaria sujeito à sanção ou ao veto de Lula. Essa disputa envolve só as etapas preliminares. A condenação definitiva exige 54 votos por determinação da Constituição.
Segundo a Folha de S.Paulo, Edson Fachin já sinalizou que pretende submeter a liminar de Gilmar ao plenário ainda em 2026, antes da posse dos novos parlamentares. O julgamento poderá consolidar as condições para a tramitação dos pedidos criadas por Gilmar.
A permanência de Lula no Planalto impõe outro dilema à direita: se um ministro perder o cargo, caberá ao petista indicar seu substituto. A escolha, por outro lado, dependerá da aprovação de pelo menos 41 senadores, o que dá à oposição margem para negociar com o Executivo o perfil do novo integrante da Corte.
Além disso, a própria ameaça de impeachment poderia servir de freio aos ministros, levando-os a adotar uma postura mais contida, mesmo que a composição da Corte continue muito inclinada à esquerda.



