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O plano de Jair Bolsonaro (PL) de conquistar a maioria do Senado saiu do campo teórico e chegou às urnas com 19 candidatos eleitos para assumir o mandato em 2027. A estratégia do ex-presidente foi tratada abertamente por ele e, mesmo após a prisão, o líder da direita manteve a articulação política para a indicação dos nomes que foram eleitos no último domingo (4).
Além disso, o ex-presidente foi o responsável por definir a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT) .
Candidato a senador mais votado no Paraná, o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) disse que protocolou vários pedidos na tentativa de visitar Bolsonaro na prisão domiciliar e no período de detenção na Papudinha, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. “Infelizmente, o ministro Alexandre de Moraes não apreciou nenhum pedido. Não autorizou nem negou, simplesmente guardou na gaveta. Nesse momento, o Flávio Bolsonaro ainda podia conversar com ele, que confirmou meu nome como pré-candidato, tanto que estava escrito naquela carta do Flávio que vazou para a imprensa”, recordou Barros em entrevista à Gazeta do Povo.
Segundo o senador eleito, o ex-presidente participou diretamente da escolha dos nomes dos candidatos e das alianças formadas nos estados. No Sul do país, o principal aliado foi o partido Novo, que formou a chapa vencedora para o Senado com o PL no Paraná e no Rio Grande do Sul.
“O faro político do presidente Bolsonaro é algo impressionante: boa parte dessas indicações acabou sendo eleita. Isso mostra a força do próprio presidente Bolsonaro e da direita como um todo. É por isso que nós estamos muito confiantes na vitória do Flávio Bolsonaro, que já passou o Lula no primeiro turno”, afirmou.
Carta de Bolsonaro solucionou maior crise durante a campanha
Além de lançar o filho para a Presidência da República, Bolsonaro teve papel fundamental na contenção da maior crise da campanha de Flávio. Logo após o vazamento do áudio em que o candidato do PL negociava o financiamento do filme “Dark Horse” com Daniel Vorcaro, houve o rompimento público temporário entre ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF).
Em um carta divulgada em julho, Bolsonaro pregou a união da direita e confirmou Flávio como porta-voz e sucessor político na disputa eleitoral. “O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, escreveu à época.
Depois disso, Michelle recuou da ameaça de deixar a disputa pelo Senado e acabou como a candidata mais votada do Distrito Federal, confirmando a liderança nacional entre as mulheres e no meio evangélico — nichos eleitorais considerados decisivos no segundo turno, no próximo dia 25.
Em março, Bolsonaro já havia saído em defesa da esposa ao lamentar os ataques internos e pediu diálogo para a formação das chapas. “Numa campanha majoritária, bem como nas cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e pelo convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”, disse.
Ex-presidente definiu chapa pura em Santa Catarina e no Distrito Federal
Após a transferência do ex-presidente para a Papudinha, Ubiratan Sanderson (PL-RS) se encontrou com o líder da direita para tratar dos nomes escolhidos para a disputa ao Senado. Ao deixar o complexo penitenciário, o deputado gaúcho afirmou que Bolsonaro havia confirmado a candidatura dele, em coligação com Marcel van Hattem (Novo-RS). Ambos foram eleitos no Rio Grande do Sul.
O ex-presidente da República também definiu que o PL teria uma chapa pura em Santa Catarina formada pela deputada federal Caroline De Toni e pelo filho “02”, Carlos Bolsonaro. Naquele momento, a parlamentar catarinense ameaçava deixar a legenda para disputar o Senado por outra sigla, caso a segunda vaga fosse reservada para composição com o Progressistas, do candidato à reeleição Esperidião Amin (PP-SC).
“Isso é ponto pacífico. Não tem mais por que o partido se desgastar e desperdiçar energia com algo que já está definido. Os dois candidatos do PL em Santa Catarina são Carlos Bolsonaro e Carol De Toni”, anunciou Sanderson, em fevereiro deste ano.
Além disso, Bolsonaro teria confirmado a entrada da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) na disputa no Distrito Federal. “Saí de lá com essa missão, já que ele [Bolsonaro] não pode falar, para servir de porta-voz em algumas situações”, afirmou o deputado gaúcho.
No mesmo mês, Kicis visitou Bolsonaro na Papudinha para “receber a bênção” dele para as eleições deste ano. As chapas puras do PL com representantes da família Bolsonaro foram eleitas no Distrito Federal e em Santa Catarina.
Nem todas as recomendações de Bolsonaro foram acatadas. Um dos nomes citados nos “papeizinhos” para a corrida ao Senado era o do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), mas o partido optou por lançar a chapa pura com o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado Capitão Contar no Mato Grosso do Sul. Apesar da mudança, ambos foram eleitos ao Senado.
Bolsonaro pediu “metade do Senado” antes de prisão
No final de junho do ano passado, Bolsonaro pediu que os eleitores apoiassem os candidatos da direita ao Congresso Nacional, durante discurso na avenida Paulista, em São Paulo, em uma das últimas manifestações com a presença dele.
“Se vocês me derem por ocasião das eleições do ano que vem 50% do Senado, eu mudo o destino do Brasil. Nós temos como resolver o problema do país. Me permitam repetir: me deem 50% do Senado. Nem eu preciso ser presidente. [...] Quem assumir a liderança vai mandar mais que o presidente da República. Com essa maioria nós elegeremos o nosso presidente do Senado, do Congresso Nacional e das comissões de peso no Senado e na Câmara", declarou Bolsonaro.
No mês seguinte, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento do ex-presidente, com o objetivo de evitar uma fuga, segundo o magistrado. Era o início da série de decisões judiciais envolvendo medidas cautelares no caso da suposta influência da família Bolsonaro na Casa Branca até a condenação por tentativa de golpe de Estado na Suprema Corte.
Em agosto do ano passado, Moraes converteu a medida cautelar em prisão domiciliar, e Bolsonaro manteve a influência na estratégia para formação das chapas do PL e na construção de alianças para 2026. Assim, aliados e parlamentares passaram a usar as visitas autorizadas pela Justiça para consultar o ex-presidente sobre os rumos das articulações eleitorais.
No mês seguinte, os deputados federais Sanderson e Domingos Sávio (PL-MG), o senador Carlos Portinho (PL-RJ) e o amigo pessoal do ex-presidente Bruno Scheid (PL-RO) foram os primeiros autorizados a visitar Bolsonaro na prisão domiciliar, além dos familiares. Todos foram eleitos ao Senado no primeiro turno das eleições.









