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Levantamento exclusivo

Ex-presidente do PT é o deputado federal mais votado nas cadeias do Brasil

Deputado federal do PT é o mais votado nas cadeias do Brasil
Ex-presidente do PT, Rui Falcão foi o deputado federal mais votado nas cadeias do Brasil. (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

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Seguindo o padrão observado nos números da votação para presidente, o PT também aparece como grande vencedor das Eleições 2026 na votação para deputado federal nas seções instaladas em cadeias e unidades prisionais pelo país. Em um mapeamento exclusivo da Gazeta do Povo, o partido do presidente Lula lidera a votação nos presídios de 6 dos 7 maiores colégios eleitorais do Brasil.

O líder isolado na votação para deputado federal nesses locais é Rui Falcão, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores. Ele, que liderou a legenda entre os períodos do Mensalão e da Lava Jato, obteve 144 votos entre os eleitores inscritos para votarem nas cadeias. O total representa cerca de 6,7% dos votos nesse recorte.

Ainda assim, junto ao público geral do estado ele não obteve votação grande o suficiente para se eleger, e ficou na suplência da Câmara dos Deputados. O quadro é diferente dos outros nomes que compõem o pódio dos mais votados nas cadeias paulistas. Tábata Amaral, do PSB, e Lucas Pavanato, do PL, foram eleitos.

Candidatos a deputado federal mais votados nas cadeias de SP

CANDIDATOPARTIDOVOTOSRESULTADO
RUI FALCÃOPT144SUPLENTE
TABATA AMARALPSB118ELEITA
LUCAS PAVANATOPL76ELEITO

Partidos mais votados nas cadeias de SP

PARTIDOVOTOS
PT832
Votos em Branco348
PL255
União Brasil207

Na Bahia, o candidato a deputado federal mais votado nas cadeias foi Jayminho Vieira Lima (MDB). Ele, que é primo de Geddel Vieira Lima – político baiano que ganhou notoriedade após a PF encontrar R$ 51 milhões em dinheiro vivo em seu apartamento –, superou por dois votos o escore obtido pelo PT no voto de legenda, o que deixou o petista Jorge Solla e seus 60 votos no terceiro lugar. Capitão Alden (PL) completa a lista nominal dos três mais votados nas cadeias da Bahia.

Jayminho, o preferido nas cadeias baianas, ficou só com a suplência. Solla e Alden foram eleitos.

Candidatos a deputado federal mais votados nas cadeias da BA

CANDIDATOPARTIDOVOTOSRESULTADO
JAYMINHO VIEIRA LIMAMDB71SUPLENTE
Votos em LegendaPT69-
JORGE SOLLAPT60ELEITO
CAPITÃO ALDENPL40ELEITO

Partidos mais votados nas cadeias da BA

PARTIDOVOTOS
PT409
MDB168
PL108

Voto em presídio não é igual a “voto dos presos”

Embora as seções eleitorais estejam instaladas em estabelecimentos penais e sejam destinadas principalmente a presos provisórios — que ainda não têm condenação criminal definitiva —, os resultados não podem ser tratados, rigorosamente, como um levantamento do “voto dos presos”. A urna registra apenas os votos daquela seção, sem identificar a condição individual de cada eleitor.

Além de presos provisórios, essas seções podem atender servidores do sistema prisional. Por isso, o dado não permite atribuir automaticamente cada um desses votos à população carcerária.

Essa é uma possível explicação para o fato de Nikolas Ferreira (PL) ter sido o deputado federal mais votado nas cadeias mineiras. Junto a Igor Santos, também do PL, eles foram os candidatos com mais votos neste recorte das eleições em Minas Gerais. O pódio se completa com Menina da Bota (União), que diferente dos outros dois não conseguiu se eleger, mas ficou na suplência da Câmara.

Candidatos a deputado federal mais votados nas cadeias de MG

CANDIDATOPARTIDOVOTOSRESULTADO
NIKOLAS FERREIRAPL61ELEITO
IGOR SANTOSPL22ELEITO
MENINA DA BOTAUnião Brasil21SUPLENTE

Partidos mais votados nas cadeias de MG

PARTIDOVOTOS
PL116
PT55
União Brasil31

Rio de Janeiro não contou com seções eleitorais em cadeias

O Rio de Janeiro, segundo os dados oficiais do TSE, é o terceiro maior colégio eleitoral entre os estados brasileiros. Mesmo assim, os detentos em unidades prisionais fluminenses não tiveram a oportunidade de votarem no primeiro turno das Eleições 2026.

O TER-RJ até lançou, em 2025, um projeto específico para viabilizar os votos nas cadeias. A iniciativa “Democracia Além das Grades”, porém, deixava claro que ficariam de fora as unidades onde houvesse presos ligados a facções criminosas — uma forma de garantir a segurança dos atendentes e mesários. Os presos no estado também ficaram de fora das eleições de 2022.

Preferidos nas cadeias do CE, PR e RS não se elegeram

No Ceará, o nome preferido dos presos foi o de Adelita Monteiro, do PT. Enquanto esteve filiada ao PSOL, ela foi pré-candidata ao governo do Ceará, mas retirou a candidatura para apoiar Elmano de Freitas. Isolada no partido ao cobrar apoio pela reeleição do governador petista, mudou de legenda em abril de 2026.

Mais votada nas cadeias, Adelita não conseguiu votos suficientes para se eleger e garantiu a suplência na Câmara. André Fernandes (PL), o segundo mais votado nas cadeias cearenses, foi eleito. Roger Aguiar, do PSB, foi o terceiro na preferência dos eleitores das cadeias do Ceará, mas também não chegou a ser eleito.

Candidatos a deputado federal mais votados nas cadeias do CE

CANDIDATOPARTIDOVOTOSRESULTADO
ADELITA MONTEIROPT21SUPLENTE
ANDRÉ FERNANDESPL11ELEITO
ROGER AGUIARPSB9SUPLENTE

Partidos mais votados nas cadeias de MG

PARTIDOVOTOS
PT50
PL17
PSB16

Nas cadeias gaúchas, a liderança do PT foi tamanha que os três mais votados entre esses eleitores são do partido. Os números obtidos por Alexandre Lindenmeyer, Laura Sito e Maria do Rosário foram bastante próximos, mas apenas esta última foi eleita no estado. Os dois primeiros saíram com a suplência das eleições.

Candidatos a deputado federal mais votados nas cadeias do RS

CANDIDATOPARTIDOVOTOSRESULTADO
ALEXANDRE LINDENMEYERPT45SUPLENTE
LAURA SITOPT35SUPLENTE
MARIA DO ROSÁRIOPT33ELEITA

Partidos mais votados nas cadeias do RS

PARTIDOVOTOS
PT211
PSOL48
PL48

As eleições nas cadeias do Paraná foram aquelas com a votação mais distribuída entre os candidatos. Receberam votos nomes ligados à direita, ao centrão e, principalmente, à esquerda. Roberto Requião (PDT), o predileto entre os votos nas cadeias paranaenses, é o primeiro dessas listas que não conseguiu nem a eleição nem a suplência.

Os mais bem votados do PT foram os deputados estaduais Ana Júlia e Renato Freitas, que agora deixarão a Assembleia Legislativa do Paraná a caminho da Câmara Federal.

Candidatos a deputado federal mais votados nas cadeias do PR

CANDIDATOPARTIDOVOTOSRESULTADO
ROBERTO REQUIÃOPDT5NÃO ELEITO
ANA JÚLIAPT5ELEITA
JEFFREY CHIQUININovo5ELEITA
DANI ZIOBERPP4SUPLENTE
RENATO FREITASPT4ELEITO
ROSANGELA MOROPL4ELEITA
BETO RICHAPSDB4NÃO ELEITO
ALEXANDRE LEPREVOSTRepublicanos3SUPLENTE
DELEGADO TITO XERIFÃOPL3SUPLENTE

Partidos mais votados nas cadeias do PR

PARTIDOVOTOS
PT16
PL9
PDT8

Em Pernambuco, os três mais votados nas cadeias se elegeram

Exceção quanto à liderança do PT, o estado de Pernambuco – assim como Minas Gerais – não teve uma prevalência de votos no partido de Lula nas seções montadas nas cadeias do estado. Por outro lado, foi o único colégio eleitoral em que todos os três mais votados conseguiram se eleger.

Candidatos a deputado federal mais votados nas cadeias do PE

CANDIDATOPARTIDOVOTOSRESULTADO
GUILHERME UCHOA JUNIORPSD83ELEITO
ROSA AMORIMPT21ELEITO
JULIANA DE CHAPARRALUnião Brasil20ELEITO

Partidos mais votados nas cadeias do PR

PARTIDOVOTOS
PSD120
PT52
União Brasil38

Nem todos os estados tiveram votos de presos provisórios

Para as eleições de 2026, o TSE determinou que a Justiça Eleitoral disponibilizasse seções eleitorais dentro de estabelecimentos penais para garantir o voto de presos provisórios e adolescentes submetidos a internação.

A regra está no artigo 47 da Resolução nº 23.751/2026, que define como preso provisório aquele que está recolhido sem condenação criminal transitada em julgado. A norma também estabelece que, para votar, o eleitor que não tivesse inscrição regular na unidade da Federação onde funcionaria a seção deveria fazer o alistamento ou regularizar sua situação até 6 de maio.

A regulamentação, porém, não transforma toda pessoa recolhida em um estabelecimento penal em eleitor daquela seção. Para que a votação fosse realizada, era necessário que houvesse uma seção instalada no local e que os eleitores estivessem habilitados para votar ali. A regra estabeleceu ainda um mínimo de 20 eleitores aptos para a instalação da seção. Nesse cálculo, poderiam entrar agentes penitenciários, policiais penais e servidores do estabelecimento que optassem por votar no local de trabalho, além dos mesários transferidos para aquela seção.

Também era necessário estar com a documentação eleitoral em dia junto à Justiça Eleitoral. Quem estava preso e não conseguiu regularizar suas pendências eleitorais ou não manifestou o desejo expresso de votar até 20 de agosto (prazo limite para a solicitação) ficou de fora da lista do TSE.

Ao todo, três estados não tiveram votações em presídios. Entre eles, o Rio de Janeiro, que já havia ficado de fora em 2022 por razões logísticas e de segurança.

O direito dos presos provisórios chegou a ser colocado em dúvida em 2026 por causa da chamada Lei Raul Jungmann, que proibiu o alistamento eleitoral de pessoas presas. O TSE, entretanto, suspendeu a aplicação dessa restrição para as eleições deste ano, entendendo que uma mudança dessa natureza feita a menos de um ano do pleito violaria o princípio da anualidade eleitoral. Com isso, foram mantidas para 2026 as regras que permitem a instalação de seções nos estabelecimentos penais e o voto dos presos provisórios.

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