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Senado

A disputa nos bastidores das convenções que pode definir o futuro do STF e do governo

Convenções partidárias vão denifir candidatos ao Senado pelo país
Com crise entre os Poderes, eleições estaduais para o Senado ganhou novo protagonismo. (Foto: Ton Molina/Agência Senado)

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No dia 4 de outubro, o eleitor votará em dois nomes para o Senado — e não um só, como em 2022 —, além de escolher candidatos a deputado federal e estadual (ou distrital, no caso do DF); governador e presidente da República. E são essas duas vagas ao Senado, que estão em jogo para cada estado da federação, que passa a ampliação do espaço de negociação política, na formação das coligações.

A Casa pode ser renovada em até dois terços, com 54 das 81 cadeiras em disputa. Esse cenário — e a possibilidade de um espectro político assumir a maioria das cadeiras e até a Presidência do Senado — coloca um peso adicional nas convenções partidárias estaduais. 

Até 5 de agosto, os pré-candidatos ao Senado serão definidos pelas siglas nos estados, junto com os escolhidos para a disputa ao Executivo — os registros de candidatura junto à Justiça Eleitoral seguem até 15 de agosto. Apesar da proximidade do prazo, restam incertezas na composição das alianças.

A "repartição do poder" nas convenções

A analista política especializada em processos eleitorais Yolanda Tolentino avalia que a renovação da Casa elevou a disputa estadual ao protagonismo nacional devido ao deslocamento do Senado para o centro do conflito entre os Poderes. Segundo a Constituição Federal, os senadores têm a prerrogativa de abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aprovar os indicados pelo presidente da República à Suprema Corte.

“Com três aposentadorias [no STF] até 2030 e uma fila de pedidos de impeachment de ministros represada, a Casa concentra o poder de arbitrar a relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. A oposição leu isso primeiro e fez do Senado sua aposta central. A pauta nacionalizou uma disputa que é, formalmente, estadual”, analisa.

Além disso, Tolentino ressalta que os pré-candidatos à Presidência da República tendem a influenciar as articulações para obter a maioria no Senado, seja para construir a governabilidade de uma eventual gestão presidencial, seja para fortalecer a oposição. De acordo com ela, isso leva os comandos nacionais a intervir diretamente nas convenções estaduais.

“Com uma vaga, o partido busca um nome de consenso. Com duas, precisa acomodar governo, vice e dois senadores na mesma mesa. A convenção deixa de ser homologação e vira o momento em que se reparte todo o poder”, completa a analista.    

Corrida presidencial influencia escolha de candidatos ao Senado

Se no estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, a disputa pelo Senado tem nomes definidos na órbita da polarização entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), em Minas Gerais — segundo maior colégio eleitoral do país, que foi decisivo nas últimas eleições — a formação das chapas ainda é articulada pelas siglas de direita e de esquerda às vésperas das convenções.

Diferentemente de São Paulo, onde Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm aliados de peso, a formação do palanque mineiro ainda provoca dificuldades aos dois presidenciáveis que polarizam a disputa nacional. Do lado petista, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos recusou a proposta do partido para disputar o governo e será o principal nome da esquerda na corrida ao Senado.

Embora reste a segunda vaga na chapa, o PT perdeu aliados com o afastamento do PDT e do MDB, que vão lançar candidatos próprios ao governo. A aliança com o senador Rodrigo Pacheco, que migrou do PSD para o PSB para ser o candidato de Lula em Minas, também naufragou. Com isso, a sigla lançou o petista Patrus Ananias ao governo do estado, isolando o PT em Minas.

Flávio Bolsonaro também segue à procura de um palanque mineiro. Assim como Lula, ele tem apenas um correligionário de peso ao lado por enquanto. O deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) é pré-candidato ao Senado, e a convenção partidária pode definir o segundo nome da sigla. O PL ainda tem a opção de apoiar o candidato de outra legenda em uma eventual coligação.

O suspense é ainda maior pela indefinição do pré-candidato ao governo pelo Republicanos. O senador Cleitinho Azevedo é visto como um dos principais nomes para formar uma aliança com o PL e definir tanto o palanque eleitoral pró-Flávio quanto a chapa com dois nomes ao Senado. As indefinições políticas, contudo, adiam o desfecho. No plano pessoal, o senador mineiro perdeu o irmão, Matheus Azevedo, de 30 anos, morto no último sábado (18) em decorrência de uma leucemia.       

Família Bolsonaro tem peso nas decisões no Rio, no Distrito Federal e no Ceará

No Rio de Janeiro, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro deixou um vácuo eleitoral à direita na corrida ao Senado. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — que tem no Rio de Janeiro o reduto político da família — foi alçado como pré-candidato à Presidência pelo próprio pai, abrindo mão do favoritismo à reeleição para mais oito anos de mandato no Senado.

Irmão de Flávio, o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-SC) trocou de domicílio eleitoral e disputará o Senado por Santa Catarina. Além disso, o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ), que vinha sendo cotado pela sigla para o Senado, foi condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 e está inelegível. Ele também foi alvo das operações Sem Refino e da oitava fase da Compliance Zero, que investiga o escândalo do Banco Master. 

Flávio chegou a anunciar a chapa ao governo encabeçada pelo deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ) com as pré-candidaturas ao Senado de Castro e do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União-RJ), em uma aliança com o União Brasil. No entanto, Canella também foi alvo de uma operação policial e chegou a ser preso com um fuzil. Ele foi liberado por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Assim, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) deve ser confirmado como candidato à reeleição na convenção do PL, mas o segundo nome da coligação segue indefinido.

Já no Distrito Federal, Michelle Bolsonaro ainda não confirmou se irá disputar uma vaga no Senado depois de deixar a presidência do PL Mulher. O plano do partido é lançá-la junto com a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

Quem também corre por fora na sigla é o senador Izalci Lucas (PL-DF), que aguarda a decisão de Michelle para disputar a reeleição. Dessa forma, com três pré-candidatos e duas vagas na chapa, a confirmação ocorrerá na convenção marcada para o dia 5 de agosto.

No Ceará, a ex-primeira-dama foi vencida pela cúpula do PL, que definiu apoio à candidatura ao governo do tucano Ciro Gomes. Michelle Bolsonaro defendia a candidatura ao Senado da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), mas a coligação entre PSDB, PL e União Brasil deve confirmar os candidatos Alcides Fernandes (PL-CE) e Capitão Wagner (União-CE). Na esquerda, o irmão de Ciro, o senador Cid Gomes, é o principal candidato do PSB com o aval de Lula e do governador petista Elmano de Freitas, que buscará a reeleição.  

Convenções devem confirmar concorrência no Paraná e em Goiás 

As convenções partidárias no Paraná devem confirmar um quadro de alta concorrência pelas duas vagas ao Senado. Na aliança entre PL e Novo, os nomes do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e de Deltan Dallagnol (Novo-PR) estão confirmados e serão oficializados nas convenções das siglas. 

Na esquerda, o principal nome é o da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi escalada por Lula para concorrer ao Senado na tentativa de impedir uma vitória dupla da direita paranaense. Segundo apuração da Gazeta do Povo, o PT deve lançar o ex-deputado federal Dr. Rosinha como candidato ao Senado, na segunda vaga, durante a convenção. Os petistas vão apoiar a candidatura de Requião Filho ao governo do Paraná na aliança com o PDT. 

Já os eventos do PSD e do MDB podem colocar nomes de peso na disputa e aumentar a concorrência pelas duas vagas. O partido do governador Ratinho Junior (PSD-PR) já lançou o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos-PR), como pré-candidato ao Senado, mas a segunda vaga segue aberta. A jornalista Cristina Graeml (PSD-PR) é cotada para assumir o posto.

Ela figura como pré-candidata ao Senado, mas também pode ser escolhida por Ratinho Junior para ocupar a vaga de vice na chapa do candidato ao governo Sandro Alex (PSD-PR). O anúncio deve ser feito neste sábado (25). Caso esse seja o caminho, o ex-secretário das Cidades Guto Silva (PSD-PR) é cotado para ficar com a segunda vaga ao Senado. No MDB, a decisão do ex-senador Alvaro Dias em disputar novamente a eleição é aguardada para a convenção da sigla.

Em Goiás, o PL terá o deputado federal Gustavo Gayer como candidato ao Senado, acompanhado do vereador goianiense Oséias Varão (PL-GO), nome que deve ser confirmado na convenção da legenda. Os candidatos mais alinhados ao presidenciável Flávio Bolsonaro terão como concorrentes quatro candidatos do mesmo grupo político. 

A coligação encabeçada pelo governador Daniel Vilela (MDB-GO) — que assumiu o comando do estado após a renúncia do pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD-GO) — deve ter quatro nomes ao Senado confirmados durante as convenções, apesar de haver apenas duas vagas nas urnas. A ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União-GO), o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), o deputado federal Zacharias Calil (MDB-GO) e Gustavo Mendanha (PRD-GO) serão oficializados nas convenções dos partidos.

O grupo político utilizou a mesma estratégia de candidaturas avulsas para o Senado nas eleições de 2022, quando três nomes foram lançados para uma cadeira. A coligação ficou sem a vaga no Senado com a eleição de Wilder Morais (PL-GO), que disputará o pleito deste ano como candidato a governador.

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