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Ex-apoiador de Lula

Quem é o ex-banqueiro cotado para ser ministro da Fazenda de Flávio Bolsonaro

Marcelo Kayath: ex-apoiador de Lula (PT) e cotado para Fazenda em eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL)
Marcelo Kayath: ex-apoiador de Lula (PT) e cotado para Fazenda em eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) (Foto: Reprodução/YouTube/Guitarcoop)

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Ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e atual sócio da gestora QSM Capital, Marcelo Kayath passou a ser cotado para o cargo de ministro da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).

A indicação tem o apoio de um influente grupo de banqueiros, investidores e empresários do mercado financeiro, que apresentou a sugestão ao candidato na última quinta-feira (27) em um jantar que o próprio Kayath ofereceu em sua casa, em São Paulo.

De acordo com o jornal O Globo, estavam presentes, entre outros convidados, Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Milton Maluhy Filho (Itaú Unibanco), Gilson Finkelsztain (Santander), Roberto Campos Neto (Nubank), DRichard Gerdau (Gerdau) e João Camargo (Esfera Brasil).

Na ocasião, a ex-presidente da Caixa e uma das coordenadoras da área econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, também presente, foi citada como possível ministra da Casa Civil. Segundo relatos colhidos pelo portal Poder360, a sugestão foi aplaudida pelos participantes do encontro.

Marcelo Kayath apoiou Lula em 2022

O que mais chama a atenção no nome de Kayath surgir como cotado para um eventual ministério de Flávio é o fato de o executivo ser um duro crítico de Jair Bolsonaro (PL) e, quatro anos atrás, ter apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para quem também ofereceu jantares durante a campanha de 2022.

Em conversas à época, ele sustentou que o petista representava uma opção menos desestabilizadora para a economia e afirmava que Lula havia sido o melhor presidente para o mercado de capitais e para a Bolsa. Chegou a ser chamado de “comunista” por colegas investidores da Faria Lima.

Kayath, na verdade, sempre transitou por círculos de diferentes orientações políticas. Ao jornal Valor Econômico, contou quem já recebeu em sua casa Ronaldo Caiado (PSD), ACM Neto (União), e Fernando Haddad (PT). Durante a campanha para a prefeitura de São Paulo, em 2024, chegou a levar o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL) para o gabinete de banqueiros amigos.

“Sou contra fla-flu e não tenho medo de conversar com ninguém. Critico quem tiver que criticar”, disse o gestor à publicação.

Do violão clássico ao mercado financeiro

Antes de entrar no mercado financeiro, Kayath construiu uma carreira como violonista clássico. Nos anos 1980, venceu dois dos maiores concursos de violão do mundo e chegou a gravar seis discos e a fazer turnês pela Europa e Estados Unidos.

No início dos anos 1990, decidiu interromper a carreira de concertista. Já formado em engenharia eletrônica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), seguiu para um MBA na Stanford Graduate School of Business, que concluiu em 1992.

Foi nos Estados Unidos que se aproximou do empresário Jorge Paulo Lemann e acabou sendo levado para o Banco Garantia, um dos principais celeiros do capitalismo financeiro brasileiro.

Quando o Garantia foi adquirido pelo Credit Suisse, em 1998, Kayath permaneceu na instituição, onde construiu boa parte de sua carreira. Tornou-se um dos principais executivos da operação brasileira do banco suíço e, depois de deixar a instituição, passou a atuar como sócio da gestora QMS Capital.

Nessa trajetória, passou a circular e a adquirir a confiança de banqueiros, gestores, empresários e investidores que constituem boa parte do poder de influência do mercado financeiro.

Histórico pró-Lula incomoda aliados de Flávio

A aproximação com o campo lulista é anterior a 2022. Na eleição de 2018, Marcelo Kayath doou R$ 200 mil à direção nacional do PT e R$ 74 mil ao PSD.

No pleito passado, o executivo chegou a ser citado por empresários como uma possível opção para o Ministério da Fazenda, cargo que acabaria ficando com Haddad.

Depois da eleição de Lula, seu nome continuou circulando em Brasília, cotado para presidir o Banco Central (BC). Kayath ainda teria sido convidado por Haddad para ocupar uma diretoria na instituição e recusado a proposta.

O histórico não passa despercebido por aliados de Flávio Bolsonaro, que veem com desconfiança o nome do executivo. De acordo com o Poder360, no entanto, Kayath tem dito a pessoas próximas que a economia sob o governo Lula está muito ruim e que se decepcionou com a condução do país.

Marcelo Kayath já encontrou Flávio em Miami em maio

Em maio, Kayath já havia recebido Flávio para um jantar com executivos do mercado financeiro em sua residência em Miami. O encontro, relatou posteriormente, foi organizado a pedido de um amigo em comum de ambos, que buscava reunir o senador justamente com quem não havia votado em Bolsonaro na eleição de 2022.

Após o evento ter sido divulgado pela imprensa, o gestor foi questionado sobre a aproximação com o principal opositor de Lula na campanha atual. “Os jornalistas se negam a entrevistar Flávio Bolsonaro? Não. Pois os investidores também precisam ouvir quem quer que tenha expectativa de poder”, declarou ao Valor.

Ele disse, na ocasião, ter achado Flávio mais civilizado do que o pai e do que suas expectativas iniciais e concordou com algumas de suas propostas, como a de uma emenda à Constituição para acabar com a reeleição e o investimento em tecnologia.

“Não foi um evento de adesão política. Foi uma conversa civilizada. Ninguém se torna santo por andar com o papa nem bandido por passar perto de Marcola [Herbas Camacho, líder do PCC]”, disse Kayath na época. “Eles [Flávio Bolsonaro] estão fazendo o jogo deles, o lado do presidente, me parece que não está”.

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