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Entrevista à Gazeta do Povo

Renan Santos cita Ucrânia para defender programa nuclear e ampliar poder de dissuasão do Brasil

Renan Santos Gazeta do Povo Sabatina
Candidato pelo Missão, Renan Santos participou da série de entrevistas da Gazeta do Povo com presidenciáveis, nesta segunda-feira (31). (Foto: Gabriel Fidalgo/Gazeta do Povo)

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A decisão da Ucrânia de abrir mão de seu arsenal nuclear foi usada pelo candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, como argumento para defender que o Brasil retome a discussão sobre uma bomba atômica. Durante entrevista concedida à Gazeta do Povo nesta segunda-feira (31), ele afirmou que o país precisa ampliar sua capacidade de dissuasão e se tornar uma potência militar e econômica, embora reconheça que um programa desse tipo não seria concluído em seu primeiro mandato.

“O Brasil vai precisar ganhar poder, ganhar força econômica e projeção. E aí, falando agora como presidente, eu tenho que chegar para algum dos blocos hegemônicos, seja o bloco ocidental americano, seja o bloco chinês, e avisar: olha, eu vou fazer a bomba atômica”, afirmou.

Para Renan Santos, a experiência ucraniana mostra os riscos de um país abrir mão de sua capacidade de dissuasão. A Ucrânia herdou armas nucleares após o fim da União Soviética, mas posteriormente renunciou ao arsenal. O candidato afirmou que o país ficou vulnerável diante da Rússia e citou a invasão russa como exemplo da importância de possuir meios próprios de defesa.

A proposta, segundo o candidato do Missão, não seria colocada em prática de forma imediata. Antes de avançar na questão nuclear, ele defende a reconstrução da capacidade militar brasileira, o fortalecimento das Forças Armadas, a proteção das fronteiras e a criação de uma zona econômica especial voltada à indústria bélica e de alta tecnologia em São José dos Campos.

“É um processo que não vai se resolver no meu governo, mas ele tem que se reiniciar”, disse o candidato pelo Missão.

A Gazeta do Povo convidou para a sua série de entrevistas todos os concorrentes à Presidência da República com representatividade mínima no Congresso Nacional. As entrevistas são transmitidas pelo canal do YouTube do jornal.

Candidato quer reduzir poderes do STF e mudar composição da Corte

Durante a entrevista à Gazeta do Povo, Renan Santos propôs uma ofensiva nacional contra o crime organizado, mudanças na legislação penal, um ajuste fiscal com cortes de despesas e reformas no Judiciário. Em um eventual mandato, por exemplo, o candidato disse que pretende aproveitar as quatro indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) para alterar a correlação de forças dentro da Corte.

Na avaliação dele, as nomeações podem enfraquecer o grupo que hoje considera dominante no tribunal e abrir espaço para uma nova maioria. “O próximo presidente da República vai nomear quatro ministros do STF. Isso vai mudar a composição e vai mudar a maioria do STF”, afirmou.

Renan Santos disse ainda que, com articulação entre os novos ministros e integrantes da Corte que já considera mais próximos de suas posições, seria possível formar uma maioria de seis dos 11 ministros. Além das nomeações, o candidato defendeu mudanças na estrutura de funcionamento do Supremo.

Entre as propostas estão o fim das decisões monocráticas e a criação de regras para impedir que escritórios de advocacia mantenham relações que, segundo ele, possam gerar conflitos de interesse com ministros da Corte. Santos também propôs retirar do STF a competência para julgar processos envolvendo parlamentares.

A ideia apresentada por ele é criar uma corte formada por desembargadores estaduais escolhidos por sorteio e com mandato de dois anos para analisar esses casos. Com isso, segundo o candidato, o Supremo perderia parte da influência sobre o Congresso e os parlamentares teriam mais liberdade para exercer o papel de contrapeso sobre a Corte.

“Tirar da Suprema Corte a capacidade que eles têm de julgar todos os casos que envolvem membros do Legislativo brasileiro. Tem que criar uma Corte alternativa, sem custos adicionais ao contribuinte, que é basicamente você fazer por sorteio uma elevação de desembargadores dos estados com um mandato de dois anos para cuidarem dos casos parlamentares”, disse.

Apesar das críticas ao Supremo, Renan Santos afirmou que não pretende iniciar um eventual governo em confronto com o tribunal. Disse que sua prioridade inicial seria o combate ao crime organizado e a aprovação das reformas econômicas. “Eu não vou começar uma guerra com todo mundo”, afirmou, acrescentando que enfrentaria o STF caso a Corte se colocasse como “uma pedra no sapato” de seu futuro governo.

Renan Santos promete negociar com Centrão

Apesar das críticas ao Centrão, Renan Santos reconheceu que precisaria negociar com os partidos que tiverem representação no Congresso caso seja eleito. O candidato, no entanto, disse que não pretende repetir o modelo de composição política baseado na distribuição de cargos e no controle de empresas estatais.

“Eu não vou ceder em matéria ética e em plano de governo. Não vou ceder. Agora, compor governo. 'Ah, você é um partido do Centrão. Quer construir comigo uma agenda de Brasil dentro do projeto que venceu a eleição nas urnas? Beleza, venha compor. Eu não vou te dar nenhuma estatal'”, afirmou.

Como exemplo, citou a possibilidade de integrante de um partido como o PP assumir uma área relacionada à saúde e implementar medidas previstas em seu programa, como um prontuário único e a organização regional do SUS. A estratégia, segundo Renan Santos, não significa abrir mão da negociação com o Congresso, mas estabelecer limites para a troca de apoio político.

O candidato disse que, caso a população eleja parlamentares do Centrão, caberá ao presidente lidar com o resultado das urnas e negociar com esses congressistas para conseguir aprovar sua agenda própria. “Eu vou compor e não vai ter ilusão. Eu vou começar a compor no dia seguinte à vitória eleitoral”, afirmou.

Pinga-fogo: Renan responde a temas polêmicos da campanha

Ao fim da entrevista, Renan Santos participou de um pinga-fogo com perguntas sobre temas que estão no centro do debate político e eleitoral. O candidato deveria responder se era a favor ou contra cada proposta ou, em alguns casos, dar uma avaliação rápida sobre políticos e acontecimentos recentes. As respostas dele foram:

  • Câmeras nos uniformes dos policiais: Contra.
  • Bets: Contra.
  • Voto impresso: Favorável, do ponto de vista valorativo.
  • Fim da escala 6x1: Contra “do jeito que passou no Congresso”.
  • Redução da maioridade penal: Renan afirmou que não deveria haver uma idade mínima para responsabilização e defendeu que menores que cometam crimes hediondos sejam responsabilizados de acordo com a gravidade do delito.
  • Audiência de custódia: Contra.
  • Descriminalização das drogas: Contra.
  • Teto de gastos: Favorável.
  • Legalização do aborto: Contra.
  • Impeachment de ministro do STF: “Dever constitucional.”
  • Escola cívico-militar: “Muito favorável.”
  • Um grande político brasileiro: "Carlos Lacerda."
  • Lula: “Ladrão.”
  • Jair Bolsonaro: “Idiota.”
  • Alexandre de Moraes: “Corrupto.”
  • 8 de janeiro: “Crime, depredação, gente querendo dar golpe de Estado.”
  • André Mendonça: “Está melhor do que começou. Hoje é necessário.”

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