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Eleições 2026

Renan Santos dispara, Lula zera e Cury estreia no “Data-Toalha”

Data-Toalha, venda de toalhas de candidatos
"Data-Toalha" mede humor do eleitor em São Paulo. (Foto: Osvaldo Valentim/Arquivo pessoal)

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Há pesquisas eleitorais, devidamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e há o "Data-Toalha", pesquisa informal feita pelo vendedor ambulante Osvaldo Valentim. Ao invés de porcentagens, o humor do eleitor é medido de acordo com a venda de toalhas com os rostos dos candidatos a presidente nas eleições de 2026.

Valentim circula pelas ruas do Jardins, bairro de alta renda em São Paulo, nas imediações da avenida Paulista. Ele normalmente monta seu ponto de venda na calçada em frente à Paróquia Assunção de Nossa Senhora, o que explica quem está na frente no "Data-Toalha": Renan Santos (Missão).

O candidato do Missão, que concorre pela primeira vez um cargo público, é frequentador da paróquia. No dia 16 de setembro, por exemplo, ele vendeu 55 toalhas de Renan e sete de Flávio Bolsonaro (PL). As toalhas de Lula (PT) empacaram e nenhuma foi vendida naquele dia.

Na saída da igreja, o candidato do Missão já autografou duas toalhas que levam a estampa de seu rosto. A primeira foi arrematada em leilão por R$ 1.200 por um morador de João Pessoa (PB), enquanto a segunda, autografada no primeiro comício de Renan Santos, aguarda lances para a conclusão do leilão. 

As toalhas de Lula, Flávio Bolsonaro, e também do jogador Neymar Jr., foram compradas prontas no mercado. Já as estampas de Renan Santos e de Augusto Cury (Avante) foram criadas pelo próprio vendedor, que mandou fabricá-las.

Valentim percorre mais de duas horas de transporte público para ir e vir do ponto em que trabalha até sua casa, na cidade de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo. Antes ele comercializava os produtos na própria avenida Paulista aos domingos e feriados, mas afirma que a intensificação da fiscalização por policiais o levou a sair de lá.

A ideia de fazer o placar da venda das toalhas surgiu para esclarecer sempre as mesmas dúvidas que eram perguntadas pelos transeuntes: qual toalha foi mais vendida.

Augusto Cury chegou a ser destaque no "Data-Toalha"

No fim de agosto, o médico e escritor Augusto Cury teve um crescimento rápido nas pesquisas eleitorais e foi o primeiro a ultrapassar os 10% das intenções de voto além de Flávio e Lula. Na pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada em 31 de agosto, Cury aparecia com 11% no cenário estimulado de primeiro turno, atrás de Lula, com 37%, e Flávio, com 31%.

A toalha com o rosto estampado do candidato mais outsider dessas eleições, chegou ao ponto de venda em 11 de setembro. E logo Valentim vendeu a primeira unidade pela internet a um eleitor de Palhoça, em Santa Catarina. 

Comércio mais fraco reflete crise econômica e disputa eleitoral menos acirrada

Osvaldo das Toalhas dividiu o placar das eleições em 2026 em duas fases diferentes: pré-campanha e campanha, que se iniciou em 16 de agosto. Até esta data, o placar de toalhas vendidas era 61 para Renan Santos, 15 para Flávio Bolsonaro e 13 para Lula. 

Nas eleições em 2022, também no mês de setembro, o placar estava bem mais agitado: 292 toalhas de Jair Bolsonaro contra 208 de Lula. A toalha da candidata então considerada de terceira via, Simone Tebet (PSB), também foi confeccionada por Valentim, com 48 unidades comercializadas. 

O comerciante lembra de um episódio que ilustra a disputa daquele ano: “Chegou um empresário, eleitor do Bolsonaro, e falou: 'faz um combo aí pra mim, que eu quero botar o Bolsonaro na frente'”, conta.

Foram 60 itens comprados, entre toalhas pequenas e bandeirolas para o vidro do carro escritas ‘Bolsonaro’, que pontuaram 60 pontos no placar. “Bolsonaro ultrapassou Lula na hora da compra, para você ver como era a loucura daquele ano”, afirma Valentim.

Foi também naquele ano que Valentim ganhou certa notoriedade: segundo ele, vendeu a primeira toalha do Lula ao ator Bruno Gagliasso, que voltou depois para comprar mais 20 unidades, antes mesmo de o vendedor lançar oficialmente o placar. Gagliasso afirmou publicamente, à época, ter comprado dezenas de toalhas do então candidato petista para distribuir entre amigos. 

Além dos números apontados no “Data-Toalha”, a movimentação de eleitores este ano aponta que a população está bem menos engajada com a política e com o tema das eleições.  

Valentim atribui à queda do movimento a alguns fatores: a fábrica não ter produzido toalhas pequenas, que possuem um preço mais acessível que ajuda a girar as vendas; o fato de o produto não ser mais novidade; e, principalmente, a queda no poder de compra da população.

“O Brasil está numa crise tão grande que o pessoal não quer gastar como gastava em 2022. Naquela época, nós vínhamos do governo Bolsonaro, que estava com superávit primário, e não déficit. A economia estava bem mais pujante”, afirma Valentim.

Metodologia da pesquisa citada

  • Nexus/BTG Pactual 31/8/2026: 2.005 entrevistados pelo instituto Nexus de 28 a 30 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-08900/2026.

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