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Internacional

Arcebispo proíbe uso de IA para simular voz e aparência de padres

Imagem mostra um padre lendo um trecho da Bíblia Sagrada.
Dedicados à evangelização e ao cuidado pastoral, os sacerdotes desempenham um papel central no fortalecimento da fé e na vida comunitária da Igreja Católica. (Foto: Pixabay / Monika Robak)

O arcebispo de Aracaju, em Sergipe, Josafá Menezes da Silva, estabeleceu regras para o uso de inteligência artificial (IA) nas comunicações arquidiocesanas. As diretrizes, dirigidas a padres, diáconos, ministros leigos e todo o povo de Deus da Arquidiocese de Aracaju, são baseadas em documentos do magistério da Igreja sobre dignidade humana, comunicações e uso de tecnologia.

Os principais recursos utilizados por Menezes são a mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais e a encíclica Magnifica Humanitas, ambos do Papa Leão XIV, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial; o documento Antiqua et Nova, uma nota conjunta do Dicastério para a Doutrina da Fé e do Dicastério para a Cultura e Educação da Santa Sé, assinada pelo Papa Francisco, sobre a relação entre inteligência artificial e inteligência humana; e uma reflexão do Padre Doriano Vincenzo De Luca, chefe do serviço de comunicações sociais da Arquidiocese de Nápoles, na Itália.

"O ponto de partida para toda a reflexão da Igreja sobre inteligência artificial é a defesa incondicional da dignidade da pessoa humana", explicou o arcebispo de Aracaju. O prelado destacou que a nota Antiqua et Nova "coloca a dignidade humana no centro do discernimento sobre inteligência artificial e nos lembra que a tecnologia deve ser guiada pelo bem da pessoa e da sociedade" e que "a inteligência humana deve orientar o uso da tecnologia em prol do 'autêntico bem da pessoa'".

Portanto, "à luz das diretrizes do magistério da Igreja e com o objetivo de orientar o discernimento sobre o uso adequado das ferramentas de inteligência artificial, garantindo o respeito ao princípio da dignidade humana ao 'preservar rostos e vozes', e assegurando que essas ferramentas sirvam como auxílio em vez de substituir o trabalho responsável que somente um ser humano pode realizar, estabelecemos" certas diretrizes no território da Arquidiocese de Aracaju, disse o bispo.

Menezes determinou que "toda arte produzida com o auxílio de inteligência artificial" na arquidiocese deve "passar por uma revisão humana obrigatória antes da publicação" e que "todo e qualquer conteúdo gerado ou manipulado por inteligência artificial" também deve "ser rotulado e claramente distinguido do conteúdo criado por humanos, especialmente quando o uso de IA puder afetar a percepção da realidade que está sendo apresentada".

Em relação ao clero, Menezes determinou que "a inteligência artificial generativa não deve ser usada para reconstruir ou simular a aparência de um bispo, padre ou diácono quando o resultado substituir sua fotografia real ou puder ser interpretado como uma representação autêntica de sua aparência ou de uma situação que ele vivenciou". Ele também estabeleceu que "a inteligência artificial generativa não deve ser usada para reconstruir ou simular a voz de um bispo, padre ou diácono em uma mensagem ou discurso não originalmente proferido por eles" e que "não se deve atribuir a uma pessoa real uma aparência, discurso, ação ou situação que não corresponda à realidade".

Além disso, o arcebispo proibiu o uso de inteligência artificial para "reconstruir o rosto de uma pessoa real, substituindo sua fotografia"; para "modificar significativamente as características de uma pessoa real"; para "criar uma aparência artificial apresentada como sua aparência real"; para "produzir imagens colocando um membro do clero em situações que não ocorreram"; para "produzir uma representação sintética que possa ser confundida com uma fotografia real"; e para "criar arquivos de áudio tentando simular a voz de uma pessoa em uma mensagem ou discurso não realmente proferido por essa pessoa".

Segundo o arcebispo de Aracaju, "a inteligência artificial pode ser usada como ferramenta auxiliar" em nove situações: criar fundos, criar texturas, gerar elementos abstratos, criar ilustrações, sugerir layouts, trabalhar com cores, auxiliar na composição, auxiliar na edição e ajudar a criar conceitos visuais.

"Essas diretrizes são baseadas particularmente na mensagem do Papa Leão XIV para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, na qual o Santo Padre alerta que as capacidades de simulação da inteligência artificial podem fabricar 'realidades paralelas', usurpar rostos e vozes, e tornar cada vez mais difícil distinguir entre realidade e ficção", explicou Menezes.

Segundo o arcebispo, "o mesmo documento" também "chama a atenção para a necessidade de proteger as imagens das pessoas, fotografias, gravações de áudio, rostos e vozes, prevenindo usos prejudiciais como fraude digital, cyberbullying e deepfakes que podem violar a privacidade e a intimidade pessoal sem consentimento".

Ao final do decreto, Menezes exortou "todos os agentes pastorais, comunicadores e fiéis a agir com prudência, sempre consultando seus respectivos ordinários e respeitando as regulamentações vigentes, para que a tecnologia possa servir à missão e nunca distorcê-la". Ele ainda enfatizou que "tudo o que a Igreja comunica deve ser verdadeiro no conteúdo e responsável na sua forma de representação".

O arcebispo encerrou sua diretriz com a oração "Que Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira de nossa arquidiocese, interceda por nós e nos ajude a preservar, em toda comunicação, a dignidade e a beleza dos rostos e vozes humanas chamadas a refletir Cristo".

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Brazil archbishop establishes rules for use of AI in archdiocesan communications https://www.ewtnnews.com/world/americas/brazil-archbishop-establishes-rules-for-use-of-ai-in-archdiocesan-communications

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