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Para entender

Flávio Bolsonaro planeja guinada na política externa com foco nos EUA

Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno contra Lula e uma eventual vitória pode alterar prioridades da política externa brasileira. (Foto: André Borges/EFE)

Uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência pode redirecionar a diplomacia brasileira para uma aliança estratégica com o Ocidente. Após liderar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, o candidato sinaliza uma aproximação com Washington em áreas como segurança e tecnologia, enquanto propõe flexibilizar regras do Mercosul para negociar novos acordos bilaterais.

Como ficaria a relação comercial entre Brasil e China?

Embora Flávio Bolsonaro defenda uma orientação mais voltada ao continente americano, analistas avaliam que a dependência comercial da China funcionará como um freio para mudanças radicais. Atualmente, os chineses compram mais de três vezes o volume exportado para os Estados Unidos, sendo responsáveis por 30,7% das vendas brasileiras ao exterior. O setor agroexportador deve pressionar pela preservação desse vínculo. Assim, a tendência é que o governo mantenha um tom pragmático na economia, mas reduza parcerias estatais em áreas sensíveis como tecnologia espacial e infraestrutura.

Qual é a estratégia proposta para a aproximação com os Estados Unidos?

A estratégia foca em parcerias de longo prazo que vão além da troca de mercadorias. O plano inclui cooperação intensa em defesa, inteligência e processamento de minerais críticos, como as terras raras, essenciais para a indústria de semicondutores e baterias. Flávio já se reuniu com figuras importantes do cenário americano, como Donald Trump e J.D. Vance, sinalizando que o Brasil pode se tornar um aliado prioritário dos EUA para reduzir a dependência global de componentes chineses, oferecendo segurança jurídica para investimentos americanos em território brasileiro.

O que pode mudar no funcionamento do Mercosul?

A proposta central é a flexibilização das regras atuais que obrigam os países membros a negociar acordos comerciais apenas em bloco. Flávio Bolsonaro defende que o Brasil tenha autonomia para firmar tratados bilaterais, especialmente com os americanos. Essa visão coincide com a do presidente argentino Javier Milei. No entanto, economistas alertam que o fim da negociação unificada pode enfraquecer a Tarifa Externa Comum — um imposto único cobrado de países fora do bloco — e diminuir o poder de barganha brasileiro diante de outras grandes potências econômicas mundiais.

Quais serão as prioridades na área de segurança internacional?

O governo deve focar na repressão ao crime organizado por meio de cooperação internacional direta com agências americanas. Uma das metas já sinalizadas pelo senador é manter a classificação de grupos como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos, o que facilita o bloqueio de ativos financeiros e a troca de dados de inteligência. Além disso, há uma proposta de reforma no Ministério das Relações Exteriores para que embaixadas sejam cobradas por resultados concretos na atração de investimentos e antecipação de crises.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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