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Oriente Médio

Rebeldes apoiados pelo Irã prometem mais ataques à Arábia Saudita

Bandeiras do Iêmen tremulam em um painel digital com o líder houthi Abdul-Malik al-Houthi em uma rua de Sanaa, capital do Iêmen, em meio à escalada de ataques houthis contra a Arábia Saudita
Bandeiras do Iêmen tremulam diante de um painel digital com o líder houthi Abdul-Malik al-Houthi, em Sanaa, capital do Iêmen, em 11 de outubro de 2026. Os houthis renovaram alertas a companhias aéreas contra o uso de aeroportos sauditas após o ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riyadh (Foto: EFE/EPA/Yahya Arhab)

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Os rebeldes houthis, do Iêmen e apoiados pelo Irã, ameaçaram abertamente a Arábia Saudita com novas investidas militares e ampliaram alertas contra aeroportos e o espaço aéreo do reino. As advertências se seguem a uma sequência de ofensivas contra instalações estratégicas sauditas, incluindo ataques ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riyadh, que deixaram mortos e centenas de feridos.

O grupo rebelde e o Ministério das Relações Exteriores controlado pelos houthis em Sanaa, capital do Iêmen, declararam que os aeroportos e o espaço aéreo saudita se tornaram "alvos legítimos" e um "teatro de operações" para suas forças. Em comunicados oficiais e nas redes sociais, o grupo pediu a companhias aéreas, trabalhadores e viajantes que evitem a infraestrutura aeroportuária e o espaço aéreo do país. Apenas os aeroportos das cidades sagradas de Meca e Medina ficaram isentos dos alertas.

Pela emissora de televisão Al Masirah, o ministério advertiu que as operações serão pautadas pelo princípio da reciprocidade diante das ações militares da Arábia Saudita no Iêmen: "A menos que o inimigo saudita cesse sua agressão e interferência no Iêmen, o pior ainda está por vir".

Ataque em três fases ao Aeroporto de Riyadh

As advertências não são apenas retórica. Segundo a agência EFE, a operação contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid ocorreu em três fases, começou na noite de sexta-feira e "provocou a interrupção do tráfego aéreo e o fechamento total" da instalação, conforme o porta-voz militar dos insurgentes, Yahya Sarea.

No sábado (10), um bombardeio contra o complexo aeroportuário de Riyadh deixou 12 mortos e 309 feridos, segundo fontes médicas e diplomáticas ocidentais consultadas pela Reuters. O balanço foi corroborado pela Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita (GACA) e pelo Saudi Gazette, via agência estatal SPA, que também divulgaram as nacionalidades das vítimas.

Neste domingo (11),, ao menos um projétil atingiu o Terminal 4, provocando um incêndio. "Um projétil não identificado atingiu o Terminal 4 do Aeroporto Internacional Rei Khalid. O ataque provocou um incêndio e as autoridades competentes estão investigando o incidente", disse na rede social X o porta-voz da coalizão militar anti-houthi liderada pela Arábia Saudita, Turki al Maliki, sem atribuir a ação a nenhum grupo.

Posteriormente, afirmou que as defesas aéreas da monarquia "interceptaram e destruíram um míssil de cruzeiro nas imediações" da instalação. A extensão dos danos e a existência de vítimas ainda são desconhecidas, e os houthis não reivindicaram a ação

A pressão não se restringe ao céu. Também chega ao mar. As forças armadas houthis declararam um embargo marítimo contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb. A passagem conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden, e sua interrupção ameaça diretamente o tráfego global de petroleiros e a navegação comercial internacional.

Repercussão internacional e pedido de ajuda aos EUA

As ameaças já produzem efeitos concretos. No setor aéreo, grandes companhias — como Kuwait Airways, Etihad Airways e Qatar Airways — suspenderam voos para Riyadh, que enfrenta forte pressão dos insurgentes. Embaixadas de nações como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Espanha emitiram alertas orientando seus cidadãos a evitarem os terminais aéreos da região.

Diante do cenário crítico, autoridades sauditas solicitaram apoio defensivo urgente aos Estados Unidos. Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca avalia aderir à coalizão liderada pelos sauditas em ações de retaliação contra os houthis: "Vamos analisar a situação... Agimos muito rapidamente", declarou Trump.

A resposta de Washington deve sair nos próximos dias, enquanto a aviação comercial da região monitora o espaço aéreo saudita.

Como começou o conflito

A atual escalada entre Arábia Saudita e houthis começouem meados de julho, quando os rebeldes acusaram Riyadh de bombardear o aeroporto de Sana para impedir a aterrissagem de um avião iraniano — ação reivindicada pelo Exército iemenita. 

O ataque deste domingo ocorre após a emissora Al Masirah denunciar que um ataque aéreo da coalizão teve como alvo o aeroporto internacional de Sana, capital do Iêmen nas mãos dos rebeldes desde 2014.

Fora da capital, o grupo também reivindicou ataques ao Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, e contra instalações da petrolífera estatal saudita Aramco — a planta de gás de Shugadam e a refinaria de petróleo de Tanajib, na Província Oriental, onde Sarea afirmou ter ocorrido "grandes incêndios".

Os houthis intensificaram as ações contra a Arábia Saudita depois que Riyadh deu apoio à contraofensiva lançada pelas forças do governo iemenita para expulsar os rebeldes da costa do Mar Vermelho e das áreas do noroeste do Iêmen.

A coalizão liderada por Riyadh intervém no Iêmen desde 2015 em apoio ao governo reconhecido internacionalmente. Segundo a contagem dos insurgentes — dados que não puderam ser verificados de forma independente —, os aviões de combate sauditas realizaram 124 bombardeios nas últimas 24 horas contra posições rebeldes, somando pelo menos 2.058 ataques aéreos desde setembro.

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