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O Nobel de Literatura premia a bizarrice

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A escritora canadense Anne Carson, vencedora do Nobel de Literatura de 2026. (Foto: Pontus Lundahl/EFE/EPA)

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Há muitos anos, o anúncio anual do Prêmio Nobel de Literatura tem sido uma celebração do bizarro. Escritores de livros de 400 páginas compostos por uma única frase, narrativas obscenas e histórias niilistas têm dominado o grupo dos vencedores do prêmio literário mais prestigioso do mundo.

Seria possível esperar que este ano fosse diferente. Talvez os ilustres jurados da Academia Sueca encontrassem alguém capaz de escrever histórias verdadeiras sobre pessoas reais, com uma mensagem convincente. Como seria maravilhoso se as obras da vencedora deste ano refletissem o bom, o verdadeiro e o belo, em vez de serem obcecadas pelo seu oposto.

Mais do mesmo

Infelizmente, não foi dessa vez que tivemos essa sorte. A vencedora deste ano é a escritora canadense Anne Carson. Ela é conhecida por seu surrealismo, pelo absurdo deliberado e por narrativas que rompem as fronteiras entre os gêneros literários.

Conceder o Nobel de Literatura a Anne Carson é uma tragédia. Isso não é uma celebração da excelência literária, mas sua destruição

Como acontece com a maioria dos vencedores pós-modernos de prêmios literários, Anne Carson, 76 anos, é amplamente desconhecida, exceto por um pequeno nicho de leitores que acreditam ser capazes de decifrar sua obra. De fato, a literatura moderna há muito perdeu sua universalidade e agora se tornou domínio de tudo o que é esotérico, subjetivo e restrito.

O que torna esse prêmio intrigante é o fato de Anne Carson ser considerada uma especialista em literatura clássica. Ela sabe o que é boa literatura. Ainda assim, utiliza esse conhecimento para convidar personagens da Antiguidade a interagir com personagens de sua própria criação. Sua obra é uma mistura absurda e heterogênea que desafia todos os padrões e questiona todas as certezas.

Tudo de cabeça para baixo

Suas obras tornam-se atemporais ao colocar o tempo de cabeça para baixo. Figuras antigas se misturam a figuras modernas, enquanto a autora as insere em contextos pós-modernos bizarros. Antígona e Ismene, de Sófocles, podem ser encontradas discutindo Hegel. Ela funde Helena de Troia com Marilyn Monroe. O jovem Hércules envolve-se em relacionamentos homossexuais. Em outro episódio da vida de Hércules, ela toma o partido do monstro vermelho que ele mata. Suas “traduções” de obras clássicas são, na verdade, distorções nas quais tudo é possível.

Os narradores de suas histórias também estão de cabeça para baixo. Uma nuvem, um monstro ou um personagem imaginário podem contar a história. O narrador pode mudar no meio da narrativa. Falta unidade às suas obras, nas quais ela salta de um assunto para outro. No mundo em constante transformação de Carson, não existem regras.

Até mesmo o formato de suas obras pode estar de cabeça para baixo. Alguns de seus escritos rejeitam a estrutura convencional de um livro. Sua obra Nox, por exemplo, é impressa em uma única folha contínua de papel, dobrada em sanfona e colocada dentro de uma caixa. Outra obra, intitulada Float, é uma coleção de 22 livretos individuais acondicionados em um estojo de plástico. Eles devem ser embaralhados e lidos em ordem aleatória.

Aclamada pelo establishment

Um exemplo de sua obra é o absurdo “poema” intitulado Room in Brooklyn (“Quarto no Brooklyn”). Essa peça minimalista de literatura consiste em quatro palavras: “Este dia lento passa”. É por obras desse tipo que Anne Carson é aclamada. Quanto mais caótico é seu estilo, mais popular se torna entre acadêmicos e críticos ligados ao establishment, que fazem tudo o que podem para encontrar valor em suas divagações.

Que o prêmio seja concedido a escritores que ampliem os horizontes das pessoas, orientando-as para aquilo que é bom, verdadeiro e belo

Ela é descrita como brilhante, minimalista e vanguardista. Seu estilo é considerado deliciosamente absurdo, surrealista e anticonvencional. Na verdade, essa aclamação é muito pior do que os próprios textos, pois cria a falsa impressão de que todos reconhecem valor na poesia de quatro palavras e em narrativas de cabeça para baixo.

Não há motivo para comemorar

Conceder o Prêmio Nobel de Literatura a Anne Carson é uma tragédia. Isso não é uma celebração da excelência literária, mas sua destruição. De fato, o mundo agora a cobre de elogios enquanto ela desconstrói a literatura antiga e desmonta as estruturas que conferem significado e beleza à arte literária.

Ao questionar tudo, obras como as de Carson deixam de construir uma narrativa racional. Elas transformam histórias, convenções e valores morais em estruturas opressoras que precisam ser derrubadas. A literatura torna-se uma arma brutal para fragmentar, isolar e despedaçar aquelas histórias compartilhadas e admiráveis que, outrora, eram expressas com tanta maravilha e beleza.

Que o prêmio seja concedido a escritores que ampliem os horizontes das pessoas, orientando-as para aquilo que é bom, verdadeiro e belo. Que a literatura possa ser libertada de autores medíocres e “deliciosamente absurdos” como esses, que a privam de sua finalidade. E que também seja libertada dos críticos que aclamam tais obras como obras-primas.

John Horvat II é pesquisador, educador, palestrante, autor de Return to Order e de centenas de ensaios, e vice-presidente da Sociedade Americana de Defesa da Tradição, Família e Propriedade.

©2026 The Imaginative Conservative. Publicado com permissão. Original em inglês: The Nobel Prize in Literature Is for the Bizarre

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