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Editorial

Dario Durigan não convence ninguém

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Dario Durigan vem tentando convencer o mercado financeiro de que Lula não tem nada a ver com a inflação e os juros altos. (Foto: ChatGPT sobre foto de Washington Costa/Ministério da Fazenda)

Dario Durigan está em campanha – não para si, mas para seu chefe. Catapultado ao comando do Ministério da Fazenda com a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo, Durigan foi encarregado por Lula de fazer a interlocução com o mercado financeiro e convencê-lo de que os juros altos, a inflação persistentemente acima da meta, a explosão da dívida pública, os recordes de endividamento e inadimplência, e os sucessivos déficits primários são culpa de tudo e de todos, menos do presidente da República e de sua gastança. Uma tarefa ingrata, sem dúvida; e, ainda que Durigan acredite piamente na lorota que vem contando, aqueles que ele deveria convencer vêm mostrando que não estão dispostos a acreditar no ministro.

Poucos dias atrás, durante um evento do Banco Santander, Durigan afirmou que, “se a gente pegar todas as Leis de Diretrizes Orçamentárias desde 2023, temos projetado um caminho para o superávit fiscal, desde sempre”. Se é que esse caminho existe, no entanto, o governo se desviou dele há muito tempo, pois o Brasil só registrou déficits primários desde que Lula subiu a rampa do Planalto, e o próprio Ministério da Fazenda estima que 2026 não será diferente. E isso, recorde-se, considerando que inúmeras despesas não são incluídas para efeitos de cálculo e cumprimento da meta fiscal, o que transforma o dado oficial em ilusão pura que a maioria dos economistas já nem considera em suas análises, como afirmou em novembro de 2025 Marcos Lisboa, que trabalhou com Lula no primeiro mandato do petista.

Não contente em vender ao mercado financeiro uma narrativa que não condiz com o presente das contas públicas, Durigan também inventa um futuro em que um Lula reeleito conduzirá um ajuste fiscal

Mais recentemente, em entrevista, o ministro da Fazenda também tirou do governo a culpa pela inflação e pelos juros altos: “não é o governo que gasta, é a guerra feita pelo governo dos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preço no país”, disse, sem resistir à tentação eleitoreira de mencionar os adversários políticos de Lula. Esta é uma tecla em que Durigan vem batendo ao menos desde julho, quando disse algo parecido em outro evento do mercado financeiro. A este respeito, no entanto, muito mais certeiro tem sido o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central; seus integrantes (todos indicados por Lula) de fato concordam que a guerra afeta os preços, e seria insensato negar essa realidade, mas recentemente eles têm sido mais explícitos quanto aos efeitos nefastos da gastança do governo. Desde junho, os comunicados e atas passaram a mencionar, como risco de alta para a inflação, os “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial” – uma referência direta às bondades eleitoreiras de Lula.

Não contente em vender ao mercado financeiro uma narrativa que não condiz em nada com o presente das contas públicas, Durigan também inventa um futuro em que um Lula reeleito conduzirá um ajuste fiscal. Aqui, o ministro terá de brigar com o próprio plano de governo do presidente-candidato, segundo o qual “o resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do combate aos privilégios e às distorções” – o “como fizemos até aqui” importa, pois, fazendo o que fez até aqui, o governo só colheu resultados negativos e aumento alarmante da dívida pública como proporção do PIB, apesar de bater recordes seguidos de arrecadação.

A resposta da “Faria Lima” ao discurso de Durigan tem sido pragmática: “precificar” a vitória do petista, elevando juros futuros e posicionando carteiras de modo a transformar limão em limonada, na medida do possível, diante da manutenção de uma política fiscal expansionista e que reduzirá o valor da moeda brasileira. Os poucos que falam em um ajuste durante um eventual “Lula 4” o fazem não por imaginar um petista subitamente convertido à responsabilidade, mas por julgar que a deterioração será tão severa que não haverá outra opção, como Dilma Rousseff teve de fazer em 2015 ao trocar Guido Mantega por Joaquim Levy. Como aquela história terminou, todos sabemos; acreditar que desta vez será diferente é ingenuidade pura.

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