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Operação Transparência 3

Cezinha teria se utilizado de cargo para suposta influência em tribunais superiores, diz PF

Cezinha de Madureira
Deputado do PL e esposa foram alvos de desdobramento de operação sobre desvio de emendas parlamentares. (Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados)

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O deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) teria usado a influência do cargo parlamentar para transmitir a terceiros a percepção de que poderia atuar junto a ministros de tribunais superiores mediante pagamentos elevados, segundo a investigação da Polícia Federal que levou à terceira fase da Operação Transparência na manhã desta segunda-feira (14).

A suspeita consta da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão contra o deputado e a esposa, Valéria Rodrigues Linhares, no Distrito Federal e em São Paulo. A investigação aponta que Cezinha de Madureira teria negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos condicionado ao resultado de processos em andamento.

À Gazeta do Povo, a defesa do deputado insinuou uma “circunstância política ou eleitoral” para a operação e afirmou que “os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida” (veja na íntegra mais abaixo).

Cezinha de Madureira é amigo e aliado do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teria articulado um contato do magistrado com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A operação ocorre um dia antes do julgamento na Corte do relatório da Polícia Federal que apontou diálogos do empresário com Alexandre de Moraes -- Dino é aliado do ministro.

Segundo Dino, o parlamentar não teria habilitação para atuar como advogado, mas utilizaria a posição de deputado para criar essa percepção de influência sobre magistrados, com citações aos ministros Kássio Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes.

“O parlamentar não se limitava a encaminhar peças: comprometia-se a formular pedido pessoal e direto ao julgador, em favor de partes representadas por advogadas a ele ligadas por vínculo conjugal e por interesse econômico”, escreveu o ministro ao reproduzir a investigação da PF na decisão a que a Gazeta do Povo teve acesso.

A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025 para apurar suspeitas de tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro de emendas parlamentares.

A partir de provas apreendidas, a Polícia Federal abriu uma nova linha de investigação para esclarecer a suposta existência de uma estrutura destinada à comercialização de influência sobre ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“A finalidade [da investigação] é elucidar a existência, a extensão e a estabilidade de estrutura destinada à comercialização de influência junto a ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral”, afirmou Flávio Dino.

Os pagamentos, segundo a decisão, seriam formalizados por meio de contratos de honorários e cessões de crédito envolvendo advogadas ligadas ao deputado, entre elas a esposa, Valéria Rodrigues Linhares. A PF aponta uma divisão de tarefas entre os envolvidos, tendo Mariângela Fialek, responsável pelo setor responsável por direcionar emendas parlamentares na Câmara dos Deputados, por captar causas e produzido peças jurídicas.

Estes clientes eram encaminhados a Valéria para a elaboração de contratos e cessões de créditos. Cezinha, por sua vez, teria realizado “despachos” e contatos com ministros, usando o trânsito institucional proporcionado pelo mandato. Dino, no entanto, ressalta que ministros e magistrados citados nas conversas não são investigados nem suspeitos de irregularidades.

“Não há, nos elementos reunidos, notícia de solicitação, de aceitação ou de recebimento de vantagem indevida por integrante do Poder Judiciário”, afirmou Dino.

Mensagens analisadas pelos investigadores registrariam expressões como “já falei”, “despachei sim” e “assunto reforçado agora” sobre os contatos. Os documentos também apontam valores vinculados a processos específicos, incluindo R$ 500 mil por uma decisão favorável em um caso e até R$ 2 milhões em outro, condicionados à revogação de prisão preventiva.

O ministro também destacou que receber advogados e parlamentares para audiências é uma atividade legítima. No entanto, o que se apura, disse, é a “mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou, e não o comportamento de quem foi apresentado a terceiros como influenciável”.

Outro elemento citado foi a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria no Aeroporto de Congonhas, em 25 de agosto de 2026. Para a PF, a movimentação poderia estar relacionada ao pagamento de honorários fora do sistema bancário e dificultar o rastreamento dos recursos.

O que dizem os citados

Veja abaixo, na íntegra, o que disse a defesa do deputado federal Cezinha de Madureira sobre a operação:

Com a tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada, o deputado federal Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários.

O deputado está certo de que, assegurados o contraditório e o amplo acesso da defesa aos elementos da investigação e à integra do processo, os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida.

Importante ressaltar que, conforme a jurisprudência do STF estabelece, medidas de tamanha repercussão deveriam ter sido conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral.

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