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A Polícia Federal (PF) realizou nesta segunda-feira (19) buscas contra Humberto Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de repassar informações sigilosas da Corte ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL). A Operação Linceu faz parte de uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura possíveis irregularidades no acesso antecipado a dados de processos judiciais.
Segundo os investigadores, mensagens indicam que informações sobre ações em andamento no STJ teriam sido enviadas a Tomaz. Entre os elementos identificados estão dados sobre procedimentos internos do tribunal e uma fotografia de um documento exibido na tela de um computador.
Em nota, o STJ afirmou que não se pronunciará sobre a operação, mas que “as medidas criminais estão em andamento e são sigilosas”. Já Willer Tomaz afirmou que não teve acesso ao inquérito e tomou conhecimento da operação através da imprensa.
"O senador Flávio Bolsonaro jamais teve acesso ou poderes sobre conta de qualquer empresa do advogado. A relação entre os dois é de amizade entre famílias, e amizade não é crime", afirmou em nota à Gazeta do Povo (veja na íntegra mais abaixo).
A Gazeta do Povo procurou também Flávio Bolsonaro e aguarda retorno. A defesa de Pradera não foi encontrada pela reportagem, o espaço segue aberto para manifestações.
Ao jornal site UOL, Pradera disse não ter tido acesso a processos em andamentos e que não foi informado de sua exoneração.
A investigação da Polícia Federal também identificou indícios de que o escritório de advocacia de Tomaz teria recebido antecipadamente minutas de decisões do STJ e pareceres do Ministério Público Federal (MPF). Em alguns casos, as informações sobre os possíveis resultados de julgamentos teriam permitido ao escritório modificar previamente suas estratégias processuais.
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O caso chegou a Pradera a partir de informações reunidas pelos investigadores em uma apuração envolvendo Willer Tomaz, advogado apontado como amigo de Flávio Bolsonaro. “Teria facilitado o acesso indevido de terceiro a informações de processos em tramitação na Corte”, pontuou a PF.
Pradera foi exonerado do cargo na última sexta-feira (16), antes da operação policial, após a abertura de um procedimento administrativo para apurar as suspeitas. O presidente do STJ, ministro Luís Felipe Salomão, determinou a investigação interna depois de tomar conhecimento dos fatos.
A PF apura, em tese, possíveis crimes de violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As suspeitas ainda estão sob investigação, e outras classificações criminais poderão ser consideradas caso surjam novos elementos.
O que dizem os citados
Veja abaixo, na íntegra, o que disse Willer Tomaz sobre a operação:
O advogado Willer Tomaz não teve acesso ao inquérito e só tomou conhecimento dele pela imprensa. A defesa já requereu acesso aos autos e prestará todos os esclarecimentos às autoridades.
Todas as empresas e participações do advogado são lícitas, identificadas em registros públicos e informadas em sua declaração de imposto de renda. Não há sócios ocultos, contas não declaradas nem patrimônio escondido. A Rede Loto, integralmente detida pela Cathedral, nunca lançou operação de apostas. O senador Flávio Bolsonaro jamais teve acesso ou poderes sobre conta de qualquer empresa do advogado. A relação entre os dois é de amizade entre famílias, e amizade não é crime.
Causa estranheza que peças sigilosas, desconhecidas da própria defesa, sejam divulgadas de forma seletiva a seis dias do segundo turno. A defesa confia que a investigação, conduzida com acesso aos autos e contraditório, demonstrará a regularidade de todas as operações.








