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2022 x 2027

PL cresce 35% no Senado, Centrão encolhe e PT fica estagnado

Senado Federal
Com 28 cadeiras, PL terá maior bancada da história do Senado a partir de 2027 e ampliará influência sobre comissões, Mesa e pautas relacionadas ao STF. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

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A eleição de 2026 produziu uma mudança histórica na composição do Senado. O PL elegeu 19 dos 54 senadores em disputa e assim aumentará em 35% sua bancada em 2027 em relação à eleição de 2022. O PT ficou com o mesmo tamanho, com nove senadores, e o Centrão encolheu.

Os 19 senadores do PL somados aos oito parlamentares da legenda que já tinham mandato até 2031 e a um suplente que assumirá uma cadeira, darão ao partido uma bancada de 28 senadores a partir de 2027.

Em 2022, o PL já tinha a maior bancada, com 14 senadores, mas o resultado de 2026 deixa o PL com cerca de um terço do Senado. Essa é a maior participação de um partido na história do Senado. O recorde anterior era de 1999, do MDB (então PMDB), que iniciou a legislatura com 27 senadores na sua bancada.

O Centrão, por sua vez, encolheu e tende a ser menos decisivo em processos importantes do Senado, como o impeachment e a escolha de ministros do STF.

O MDB, que tinha 9 senadores em 2022, passará a ter oito, enquanto PP e União Brasil, que tinham seis e 10, respectivamente, ficarão com seis cada.

O Republicanos foi um dos únicos partidos do Centrão que conseguiuram elevar sua bancada no Senado, passando de três para cinco eleitos.

O PT permanecerá com nove representantes no Senado. O PSD, por sua vez, saiu da segunda maior bancada em 2022, com 11 senadores, para apenas cinco representantes eleitos em 2026.

Para o analista político Alexandre Bandeira, o resultado representa mais do que simplesmente o crescimento de uma bancada. Na avaliação dele, essa foi uma eleição para o Senado marcada por uma pauta nacional mais específica, com temas como impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), anistia e revisão de penas mobilizando parte significativa do eleitorado de direita.

"O PL conseguiu transformar uma agenda específica em votos e, com isso, terá condições de ampliar sua capacidade de articulação dentro do Senado a partir de 2027", afirma Bandeira. 

O resultado da eleição muda bastante a relação de forças no Senado quando o assunto é impeachment de ministros do Supremo. “Uma coisa é defender o instrumento do impeachment, outra é votar pela condenação em um caso concreto. Mas o dado mostra que o tema deixou de ser uma pauta de um grupo minoritário e passou a ter um peso muito maior dentro do Senado”, afirma Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos.

Além disso, um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL) encontrará no Senado uma composição mais próxima das pautas defendidas durante sua campanha. Já um eventual novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá diante de si uma Casa com uma bancada oposicionista muito maior. 

“Em Flávio Bolsonaro sendo eleito, ele terá uma melhor governabilidade do que Lula eleito dentro do Senado”, avalia.

PL deve garantir posições importantes no comando do Congresso 

O crescimento da legenda foi impulsionado por vitórias em diferentes estados. No Distrito Federal, por exemplo, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, conquistaram as duas vagas em disputa. Em São Paulo, André do Prado também foi eleito, ao lado de Guilherme Derrite, do PP. 

Em Mato Grosso do Sul, os dois eleitos foram Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL. O partido também conseguiu eleger dois nomes em Santa Catarina, com Carol De Toni e Carlos Bolsonaro e em outras unidades da Federação, reforçando sua presença na Casa Alta. 

Com 28 cadeiras em uma Casa de 81 parlamentares, o PL sozinho terá aproximadamente 34,6% dos senadores. 

O analista Alexandre Bandeira chama atenção justamente para esse peso. Na avaliação dele, uma bancada desse tamanho permite ao partido disputar espaços relevantes na estrutura do Senado, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), outras comissões estratégicas e a própria Mesa Diretora. 

A força da bancada também poderá alimentar uma disputa pelo comando da Casa. O presidente do Senado possui papel decisivo na definição da pauta e, no caso de pedidos de impeachment de ministros do STF, é responsável por dar andamento aos procedimentos previstos constitucionalmente. 

“Esse pleito foi um verdadeiro plebiscito sobre o protagonismo do STF e os ministros claramente foram derrotados”, ressalta Juan Carlos Arruda, do Ranking dos Políticos.

Pautas vão além do STF e exigirão negociação com Centrão 

Embora o impeachment de ministros do Supremo esteja entre as prioridades de parte da oposição, Alexandre Bandeira ressalta que a nova bancada não pode ser interpretada exclusivamente a partir dessa pauta. 

A composição eleita também poderá pressionar pela discussão de temas como anistia, revisão de penas, maioridade penal e questões relacionadas à regulamentação sobre o porte e a posse de armas.

“O dever de casa, principalmente o PL fez, e logicamente outros partidos que orbitam aí, foi muito positivo”, afirma o analista. 

A avaliação é de que o resultado eleitoral abriu espaço para que esses assuntos tenham maior presença na agenda do Senado. Isso não significa, porém, que exista uma maioria automática para aprovar qualquer uma dessas propostas. O PL ainda precisará negociar com outras bancadas. 

A própria composição da Casa mostra a necessidade de alianças. Além dos 28 senadores do PL, o Senado terá oito do MDB, seis do PP, seis do União Brasil, cinco do Republicanos, cinco do PSD, quatro do PSB e três do Novo, entre outras bancadas menores. 

O PT, com nove senadores, continuará sendo uma das principais bancadas, apesar de não ter ampliado seu tamanho. A legenda elegeu seis novos senadores e perdeu outros em diferentes estados, mantendo o total de nove representantes que tinha na composição anterior. 

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