
O desfile de 7 de Setembro em Brasília estava absolutamente esvaziado. Só tinha o mundo oficial ocupando as arquibancadas, os comissionados e as autoridades. Não sei se tinha lá algum concursado, porque o povo de Brasília estava no Eixo Rodoviário fazendo outra coisa: comício e protesto.
O mote foi soberania. Eu fico me perguntando: será que o povo sabe de que serve a soberania? A soberania é para quem? A soberania tem que objetivo? Soberania é quando um país é realmente independente para fazer a vontade do povo, expressa pelas chamadas aspirações populares. É formalmente a garantia da fronteira, a garantia da Constituição.
Quando se rasga a Constituição internamente, isso é uma gravíssima agressão à soberania. Então, a soberania foi o mote que os marqueteiros escolheram para mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva brigando com Donald Trump.
Em outras palavras, foi isso e aplaudir o Irã, o Hamas, o ditador chinês, Xi Jinping – o russo, Vladimir Putin, nem tanto –, o cubano, Miguel Díaz-Canel, o venezuelano, Nicolás Maduro, preso em Nova York, o Daniel Ortega, da Nicarágua. Coisas de Foro de São Paulo.
E por aqui, o que a gente ouviu foi lá na Avenida Paulista, lotada: esse é o povo, o verdadeiro poder, a origem do poder. Essa é a nação, não é o Estado, que é a parte oficial que foi criada originalmente para prestar serviço à nação.
E a nação está dizendo que não quer mais saber de Alexandre de Moraes, de Inquérito do Fim do Mundo, de Paulo Gonet, de Andrei Rodrigues, Dias Toffoli, Lula.... Foram os mais invocados na Paulista.
Direita em ascensão nas pesquisas e na Alemanha
A coisa está animada porque agora a última pesquisa Quaest deu empate mesmo, não é mais empate técnico, é 41% a 41%, Flávio Bolsonaro e Lula, no segundo turno.
E a direita foi vitoriosa num importante estado do leste da Alemanha, Saxônia-Anhalt. A cada voto para a social-democracia, quatro votos para esse partido de direita, que é um novo partido, o Aliança para a Alemanha (AfD).
STF na berlinda
Está todo mundo de olho no Supremo, está na berlinda. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também está. Aliás, ele foi muito invocado na Avenida Paulista.
O ministro André Mendonça pôs à disposição do presidente Edson Fachin, para pôr em plenário, as descobertas a respeito das relações íntimas, financeiras e de subordinação de um ministro do Supremo com Daniel Vorcaro. Fica à disposição porque já foi para Gonet, e este não fez nada.
Gonet, ao contrário, diz que não pode investigar porque não tem autorização para investigar Alexandre de Moraes. Só que quem estava sendo investigado era Vorcaro, que era o interlocutor mais procurado às vésperas da sua prisão.
Então, o que fazer com o óbvio ululante que se descobriu desde que a jornalista Malu Gaspar anunciou a existência do contrato entre os dois?
Os lados no Supremo
Eu fiz aqui um exercício, como aquele exercício que Moraes usou como se fosse uma investigação da Polícia Federal, quando era um relatório de inteligência. Eu não sei de que lado estão exatamente Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, mas eu sei de que lado estão Gilmar Mendes, Moraes, Flávio Dino e Toffoli. Estão juntos, como mecanismo de autodefesa, de autoproteção. E eles sabem muito bem por quê.
Agora, eu sei de que lado estão André Mendonça, Luiz Fux, Nunes Marques e possivelmente Fachin, pelas últimas manifestações dele. Fala em acabar com o Inquérito do Fim do Mundo. Se acabar, tem que acabar com as consequências também.
Ele teve uma conversa com André Mendonça antes deste abrir o sigilo, em que todo mundo viu o óbvio, o já sabido nas relações de Moraes com Vorcaro. Essa é a situação: quatro de um lado, quatro do outro, e dois ainda a definir. Cármen e Zanin provavelmente estão com sérios problemas de decisão. Posso dizer de consciência também.
Conteúdo editado por: Fábio Galão

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



