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Guilherme Macalossi

Guilherme Macalossi

STF

Dino e Gilmar depilam autoridade de Fachin, como se fosse seu bigode

Edson Fachin, presidente do Supremo e relator de petição que pode culminar na responsabilização de Alexandre de Moraes. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

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A exposição das vísceras do Supremo Tribunal Federal (STF), ao longo do dia de hoje, não foi nada nobilitante. Muito antes pelo contrário.

A ministra Cármen Lúcia permaneceu em silêncio durante quase toda a sessão. Foi até correta, ao descrever certa percepção, em declarar-se constrangida, entristecida, manifestando o que poderia ser classificado como o espírito da população brasileira. É claro que era demagogia dela. Afinal de contas, ela é parte do problema, e não alheia a ele.

Mas não vou me centrar em Cármen Lúcia. Primeiro porque ela mais jogou para a torcida do que, de fato, fez uma análise jurídica do tema em discussão. Uma especialidade sua, diga-se. Segundo porque, bem, trata-se de uma personagem secundária nessa história.

Mais do que Moraes, quem acabou investigado foi o procedimento escolhido por Fachin. É como se seus oponentes, constatando a sua incapacidade de firmar posição e de articulá-la juridicamente, fossem tirando a sua autoridade aos poucos

A figura central é o presidente Edson Fachin, que avocou todos os casos que estavam em evidência no noticiário. Notadamente, Master, INSS e inquérito das fake news. Tentou ser ali o organizador de trabalhos que estavam além da sua capacidade de execução.

Já havia escrito aqui, na Gazeta do Povo, um artigo descrevendo Fachin como fraco. Quando ele tentou demonstrar que era forte, apenas constatou o que tentava desesperadamente negar. Porque, na condução atrapalhadíssima dos trabalhos de hoje, acabou sendo colocado em xeque. Foi sucessivamente desmoralizado por Flávio Dino, por Cristiano Zanin, por Gilmar Mendes e por todos aqueles que haviam se manifestado e questionado a estrutura do julgamento que ele havia concebido.

Não podia dar em outra. O ensejo do processo se deu em meio a uma série de atritos que apenas aprofundaram a desconstrução da imagem da Corte, que ele, como presidente, deveria, acima de todos os seus pares, resguardar. Mas foi incapaz de fazê-lo. E, uma vez enquadrado, por não conseguir sustentar os seus argumentos diante da inegável vantagem retórica dos demais que se opunham à sua tese, Fachin acabou sem saber o que fazer.

Ele tornou-se ali um espectador do espetáculo que promoveu. Em vários momentos, ficou assistindo enquanto magistrados se ofendiam e se atacavam. O que, para uma Suprema Corte que busca se legitimar pela autoridade constitucional, é inconcebível.

No meu artigo anterior, havia dito que a cadeira de Fachin o engolia. Na sessão de hoje, ele também foi engolido pela verdadeira Blitzkrieg que Flávio Dino e Gilmar Mendes armaram já no início da sessão.

Mais do que Moraes, quem acabou investigado foi o procedimento escolhido por Fachin. É como se seus oponentes, constatando a sua incapacidade de firmar posição e de articulá-la juridicamente, fossem tirando a sua autoridade aos poucos. Mais ou menos como se lhe fosse depilado o bigode, com uma pinça, um fio de cada vez.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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