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“Quando nasci
fui posto
no fundo do poço
do calabouço.”
Lembro-me perfeitamente do impacto que esses versos do poeta gaúcho Carlos Nejar me causaram há 25 anos, quando os li pela primeira vez. Era a época em que estava abandonando as ilusões esquerdistas de minha juventude e me reaproximando da Igreja. Ou seja: eu estava saindo de um calabouço pessoal, sem saber que o país inteiro mergulharia em breve no calabouço do socialismo petista.
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Com surpresa, descobri que Carlos Nejar está entre os pouquíssimos perfis que o ministro André Mendonça segue nas redes sociais. O livro “O Poço do Calabouço”, de Nejar, foi publicado em 1974, no ápice da ditadura militar, e pode ser lido como uma ode à liberdade em meio ao arbítrio.
Meio século depois, estamos vivendo uma nova ditadura, cuja crueldade específica consiste em se apresentar como democracia. Há sete anos, desde a criação do Inquérito do Fim do Mundo, Alexandre de Moraes vem cometendo sucessivos crimes contra a liberdade e a dignidade do povo brasileiro. Moraes ignorou a lei, perseguiu inimigos, censurou vozes contrárias, condenou inocentes e destruiu não apenas a justiça, mas a vida de milhares de pessoas. A par de tudo isso, conforme descobrimos mais recentemente, ele se tornou comparsa da maior fraude financeira da história do país. Hoje está claro que o Regime PT-STF é também a ditadura do corruptariado, como bem definiu o ex-ministro Ernesto Araújo.
A ditadura do corruptariado não se limita à fraude financeira — ela é, acima de tudo, a corrupção da alma. Essa corrupção não se satisfaz apenas com o dinheiro, mas anseia pela desgraça dos inimigos e pela condenação dos inocentes. Por isso, os ditadores atuais, a começar pela Gangue dos Quatro do Supremo Soviete, insistem em fazer a falsa equivalência entre o regime e aqueles que o denunciam.
Amanhã, 15 de setembro, Dia de Nossa Senhora das Dores, o plenário do STF se reunirá, não para julgar, mas para admitir um fato óbvio: Alexandre de Moraes precisa ser investigado. Sim, eu sei, ele também precisa ser preso preventivamente, ou impedirá quaisquer investigações. Também precisa ser afastado, julgado, condenado e punido. Suas decisões precisam ser anuladas. Suas vítimas precisam ser libertadas. A ditadura que ele ajudou a erguer precisa ser encerrada de vez.
Mas amanhã ele tem de sofrer a sua primeira derrota. Será apenas um primeiro passo na redenção do país; contudo, é hora de começar a sair do calabouço.
Senhor, tende piedade de nós. Nossa Senhora das Dores, rogai por nós.
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



