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Me diz se essa história não é fascinante. Se não é uma lição que todo tirano ou aspirante a tirano deveria aprender. De uma vez por todas. Vinte anos depois de sua morte, o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner está esquecido. E não me refiro apenas aos livros de história. Não. Me refiro a um esquecimento muito mais, digamos, palpável: no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, o túmulo de Stroessner está abandonado. Sem qualquer identificação. Tanto para nada.
Sepultado numa cerimônia privada em 2006, não se sabe se a extrema discrição do túmulo de Stroessner é intencional, para evitar que o local seja vandalizado por paraguaios revoltados e vingativos. O que me parece improvável. Ou se a identificação do túmulo foi furtada e posteriormente trocada por uma pedra de crack – como costuma acontecer. O fato é que Stroessner, apesar de todo o poder, toda a violência e todo o sofrimento que causou, voltou ao pó. Ao nada. Ao oblívio.
Estátua equestre recoberta por fezes de pombos
Me lembro. Depois de deixar o poder, em 1989, Stroessner correu para a casa de veraneio que mantinha em Guaratuba, aqui no litoral do Paraná. Lá ainda há uma praça batizada em homenagem ao ditador, mas não espalha. Me lembro também de quando Puerto Stroessner virou Ciudad del Este. E me lembro ainda dos vários pedidos de extradição de Stroessner. Nenhum deles foi adiante nos governos FHC e Lula. Forçando um pouco a memória, acho que me lembro até do Cid Moreira anunciando a morte do ditador no Jornal Nacional.
De volta ao esquecimento ao qual todos estamos destinados, por mais poder e dinheiro que possamos ter neste mundo, me pergunto sem vergonha da tolice: o que seria do mundo se todos tivéssemos como horizonte a Eternidade, e não a ilusão de imortalidade que nos vende o diabo? Essa coisa de virar nome de rua esburacada ou estátua equestre recoberta por fezes de pombos. De ser sepultado sob uma lápide de ouro. De entrar para a história. Ah, como somos patéticos. Eu e você. O Stroessner. O Lula. O Alexandre de Moraes.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



