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Sílvio Ribas

Sílvio Ribas

Episódios inéditos

Intervenções judiciais jogam as eleições no caos

Lula debate
Flávio Bolsonaro (PL) tinha confirmado presença no debate presidencial na TV Globo da quinta-feira anteior à eleição de primeiro turno. (Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo)

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Às vésperas do primeiro turno, a acirrada eleição presidencial de 2026 ganhou um sério complicador com repentinas e parciais decisões de tribunais e embates de juízes. O cancelamento do debate da TV Globo, nesta quinta-feira (1º), expôs o prejuízo da escalada intervencionista para a livre escolha do eleitor.

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu o púlpito vazio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atendendo à campanha do presidente sob o argumento de que a presença era facultativa e a ausência exposta constrangeria o ausente. Eis uma clara proteção da juíza ao petista.

Já Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou pôr Renan Santos (Missão) no debate, atendendo ao esdrúxulo pedido do Solidariedade, partido de Paulinho da Força, aliado do STF. Com isso, a composição mudou de última hora no sentido de incluir um duro crítico de Flávio Bolsonaro (PL).

A Globo atribuiu o cancelamento do último encontro de presidenciáveis na tevê antes do pleito de domingo (4) à insegurança jurídica gerada por uma série de inesperadas canetadas de juízes contra a lei e regras firmadas com os partidos. Candidatos e entidades de imprensa protestaram contra o caos.

Voluntarismo de juízes para solapar regras revela medo da vitória de Flávio

Diante da confusão criada por medidas liminares, Flávio desistiu de ir ao debate em razão da imposição de censura aplicada à emissora por “juízes amigos de Lula”. Ele os acusou de temerem que o púlpito vazio com o nome do presidente provasse a fuga dele para não encarar perguntas incômodas.

O episódio vexaminoso da derrubada do debate consagra de forma drástica os movimentos das últimas semanas que revelam o desejo de ministros em conduzir os rumos da eleição presidencial. Ativa, a indevida Justiça Eleitoral avulsa mostra o pavor da vitória do candidato da direita, aposentando Lula.

Desde a semana passada, o embate em torno da polêmica forjada com a figura de Nossa Senhora Aparecida consome um tempo precioso. André Mendonça, do STF e TSE, mandou apagar publicações que vinculavam Flávio à retirada do título de padroeira do Brasil, seguindo-se aí com reviravoltas.

A série de ordens, contudo, cobra um elevado preço institucional. Para quem acompanha a campanha, o conteúdo aparece como proibido ou meramente permitido. Na velocidade das redes sociais, a correção eventual de abusos e perseguições raramente sana o ambiente no qual o eleitor forma sua posição.

Depois de muita intervenção, sobram dúvidas sobre os rumos das eleições

Na atual corrida presidencial, intervenções judiciais são rotina e indicam favorecimentos a Lula. Elas refletem a avaliação de futuro do STF, com ao menos quatro indicações presidenciais para a Corte até 2030 e a renovação de dois terços do Senado, capaz de destravar os impeachments de juízes.

O cerceamento da oposição alcançou Jair Bolsonaro. Em 24 de setembro, o TSE reverteu a liminar da mesma Estela Aranha que restringia o uso da imagem dele pelo candidato a deputado federal Lucas Bove (PL-SP). O caso revelou o desejo de estender restrições do ex-presidente à propaganda de aliados.

A tensão chegou ao comando do TSE. Seu presidente, Kassio Nunes Marques, contestou ingerências do STF, enquanto Flávio Dino, do STF, tentou a revisão de questões constitucionais. A discussão sobre tirar relatorias de Nunes Marques e Mendonça, sem real afastamento, ilustra a briga para dominar o pleito.

Esse quadro não mostra ainda um plano acabado para anular a vontade das urnas. Mas sustenta uma preocupação concreta: intervenções sem pudor podem restringir o fluxo de informações, alterar oportunidades de exposição e cristalizar favorecimentos. A imparcialidade pede critério consistente.

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