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Eleições 2026

Como opera o canal de Janones contra Flávio alvo de disputa na Justiça Eleitoral

JANONES
André Janones (Rede-MG) criou um canal de WhasApp para tetnar bular as regras eleitorais e dfundir fake news contra Flávo Bolsonaro. (Foto: André Janones/Reprodução/Redes Sociais)

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Uma central de ordens para milhões de seguidores, orientados a repetir narrativas e compartilhar publicações antes mesmo de assistir aos vídeos. Esse funcionamento do “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), fundamentou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, que mandou neste domingo (11) suspender o canal no WhatsApp, a pedido do candidato Flávio Bolsonaro (PL).

No entanto, poucas horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a decisão do presidente de Nunes Marques e autorizou o funcionamento do canal "Exército do Lula" no WhatsApp.

O mecanismo combinava controle centralizado e distribuição pelos próprios inscritos. Somente o administrador publicava no canal; aos seguidores cabia receber as chamadas “missões” e executá-las em outras redes e grupos. Segundo o levantamento anexado à argumentação favorável à suspensão, Janones divulgava uma postagem e orientava a audiência a curtir, comentar, compartilhar e espalhar o endereço pelo WhatsApp.

A disciplina foi explicitada em uma transmissão de 8 de outubro, transcrita no documento: “Comando único. Todo mundo fala a mesma coisa”. Em seguida, o deputado cobrava obediência e antecipava a objeção dos participantes: “Ah, Janones, mas aí você tá falando para eu agir igual um robô. Sim, é só 15 dias”. Outra orientação era compartilhar antes de assistir ao conteúdo.

O método descrito dispensava a automação tecnológica. As pessoas eram convocadas a cumprir tarefas repetitivas, sob orientação de uma única fonte. É essa combinação de comando, ataques e multiplicação coordenada que sustenta a comparação política com “gabinete do ódio” ou “milícia digital”, atribuídas no passado à campanha de Jair Bolsonaro (PL).

Análise do canal revela comado único e compartilhamentos em massa

O monitoramento apresentado no dossiê, referente ao período de 8 de setembro a 11 de outubro, contabiliza 1.156 mensagens, 214 áudios e 33 vídeos. Aponta ainda 199 ordens à “tropa” e 8,4 milhões de encaminhamentos. São números do levantamento que defende a suspensão, não uma auditoria independente; encaminhamentos e reproduções também não correspondem a pessoas únicas.

A expansão aumentou o alcance potencial das instruções: segundo o documento, o canal passou de aproximadamente 53 mil inscritos, em 5 de outubro, para 3,33 milhões no dia 11. O objetivo declarado era transportar a disputa para conversas e grupos: “O segredo é o WhatsApp. Fura bolha é no WhatsApp”, afirmou Janones na transmissão reproduzida pelo levantamento.

Segundo nota da equipe de Flávio, em vídeo de 10 de setembro Janones também ensinou a apresentar versões diferentes de um acontecimento e divulgar seletivamente uma decisão judicial, destacando o trecho conveniente à narrativa. A campanha atribui ao deputado a justificativa: “É isso que eu chamo de versão dos fatos, não é uma mentira”.

Entre os exemplos relacionados no material estão alegações de que Flávio reduziria aposentadorias, extinguiria o Benefício de Prestação Continuada (BPC), cancelaria o aumento do Bolsa Família e retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O dossiê aponta 22 publicações vistas como falsas e oito que repetem conteúdos já proibidos pelo TSE.

Metodologia permitia que conteúdo escapasse das remoções oficiais

Copiar links e textos prontos era parte importante da operação descrita. Em vez de depender exclusivamente do botão de encaminhamento, os participantes recebiam instruções para redistribuir o material em seus grupos. O levantamento classifica 80 comandos como tentativas de contornar as limitações da plataforma, incluindo envio a todos os contatos, mobilizações com horário marcado e divulgação de estruturas reserva.

O apagamento de mensagens completava o circuito, segundo o dossiê: foram registradas 480 exclusões, sendo 220 em 95 minutos. A retirada no canal não recolhia as cópias já distribuídas. Para a campanha de Flávio, isso tornava insuficiente contestar cada postagem, porque a circulação prosseguia enquanto a Justiça examinava os endereços originais.

Uma segunda ação anexada, sobre o Instagram, descreve outra estrutura: publicações em coautoria, as “collabs”, que aparecem em diferentes perfis e acumulam engajamento. A petição aponta 218 peças classificadas pelos autores como falsas ou descontextualizadas, com 11,6 milhões de visualizações em cerca de 62 horas.

Nunes Marques considerou insuficientes as remoções individuais diante da repetição coordenada de conteúdos já considerados inverídicos pelo tribunal. Fundamentou a intervenção também no cumprimento das regras que o próprio WhatsApp declarou adotar. “A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral”, escreveu.

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